A Igreja Batista Nacional do Cristo Rei (IBN-CR), em Várzea Grande (MT), virou palco de uma disputa interna após denúncias sobre a transferência de recursos da instituição. O vice-presidente da igreja, pastor Wlademiro Neto, alegou que cerca de R$ 1,4 milhão foi repassado dos cofres da congregação para financiar a construção de uma mansão em Chapada dos Guimarães (MT) para o pastor Osvaldo Coutinho, figura histórica da igreja.
Acusações de falta de transparência

Em uma carta enviada ao Conselho Administrativo em 8 de fevereiro deste ano, Wlademiro Neto afirma que o montante, que ele calcula em R$ 1.470.269,72 até novembro de 2024, foi transferido sem a devida aprovação formal e sem transparência nos registros contábeis da IBN-CR. Segundo o vice-presidente, secretários e tesoureiros da gestão anterior consultados por ele disseram desconhecer a reunião que teria aprovado a doação.
Os valores teriam sido destinados para custear a “parte cinza” da construção da residência de alto padrão, que inclui piscina e janelas panorâmicas. Diante das suspeitas, Neto solicitou a exoneração de membros da gestão financeira e sugeriu a realização de uma auditoria externa nas contas da igreja.
Igreja defende legalidade da doação
Em resposta às denúncias, a direção da IBN-CR, liderada pelo pastor Osvaldo de Araújo Coutinho Junior (filho do pastor homenageado), divulgou uma nota oficial contestando as alegações. A instituição confirmou o repasse do dinheiro, mas garantiu que se trata de uma doação legítima e transparente.
Segundo a nota, o valor foi um “ato de honra e gratidão” ao pastor Osvaldo Coutinho, em reconhecimento aos seus mais de 40 anos de ministério. A igreja afirmou que a decisão, embora não tenha tido a presença de todos os diretores em uma reunião inicial, foi posteriormente “apresentada, ratificada e homologada em assembleia, perante a diretoria e o Conselho Consultivo que representa a igreja, conforme registrado em ata”.
A direção destacou que todos os valores foram lançados na contabilidade sob a rubrica de “doação” e que não houve “desvio de recursos nem omissão contábil”. A nota finaliza mencionando a carta de desligamento de Wlademiro Neto, que deixou o cargo dias depois de sua denúncia, na qual elogiou a diretoria como “dedicadas, talentosas e íntegras”, indicando uma contradição. A IBN-CR reforça que o caso foi esclarecido aos órgãos competentes.

