O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) encerrou o ano de 2025 em R$ 8,635 trilhões, registrando um crescimento de 18% em relação ao fechamento de 2024 (R$ 7,316 trilhões). Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (28) pelo Tesouro Nacional.
O avanço foi impulsionado, principalmente, pela taxa básica de juros (Selic), que permaneceu em patamares elevados ao longo do ano — terminando 2025 em 15% ao ano. Apenas a apropriação de juros (o reconhecimento mensal dos encargos) adicionou R$ 879,9 bilhões ao saldo devedor no acumulado do ano.
Composição e Metas
Apesar da alta expressiva, o resultado ficou dentro da meta revisada pelo Plano Anual de Financiamento (PAF) em setembro, que previa um intervalo entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões.
Dívida Interna (DPMFi): Cresceu 19,26%, atingindo R$ 8,309 trilhões. O Tesouro emitiu mais títulos do que resgatou, com foco em papéis atrelados à Selic.
Dívida Externa (DPFe): Recuou 6,62% no ano, fechando em R$ 326,07 bilhões, beneficiada pela queda média do dólar no período. No entanto, em dezembro, houve uma alta de 3,53% devido a tensões externas e à valorização pontual da moeda americana.
O “Colchão” de Liquidez
Para garantir o pagamento dos vencimentos futuros, o Tesouro Nacional mantém uma reserva financeira, chamada de colchão de liquidez. Segundo o órgão, o montante atual é suficiente para cobrir os compromissos da dívida pelos próximos sete meses, garantindo tranquilidade para todo o primeiro semestre de 2026.
Projeções para 2026
O Tesouro também apresentou as metas para este ano. A expectativa é que o endividamento continue crescendo, podendo atingir um teto de R$ 10,3 trilhões até dezembro de 2026. O mercado financeiro, via Relatório Focus, projeta que a Selic comece a cair gradualmente, podendo encerrar 2026 em torno de 12,25%.




