O município de Lucas do Rio Verde consolidou um modelo de produção agrícola baseado em planejamento e integração entre campo e indústria, tendo o milho como principal eixo de desenvolvimento. A estratégia, iniciada nos anos 2000, evoluiu para um sistema que conecta agricultura, bioenergia e produção de proteína animal.
As bases desse avanço começaram com pesquisas conduzidas pela Fundação Rio Verde, que introduziu técnicas voltadas à safrinha, hoje estabelecida como segunda safra. Entre as mudanças adotadas, a redução do espaçamento entre linhas de plantio, de 90 para 45 centímetros, associada ao aumento da densidade de plantas, elevou a produtividade em até 50% sem acréscimo de custos.
O modelo técnico foi validado em campo e se expandiu, sendo atualmente utilizado em grande parte das lavouras de milho em Mato Grosso e no Cerrado brasileiro.
Na safra 2025/2026, conforme dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, o município cultivou 147.097 hectares de milho, com produtividade média de 7.250 quilos por hectare, resultando em uma produção de 1.066.521 toneladas.
No cenário nacional, cerca de dois terços do milho produzido permanecem no mercado interno. Desse total, aproximadamente 60% são destinados à produção de proteína animal, 22% à produção de etanol e 18% a diferentes segmentos industriais, segundo a Associação Brasileira de Milho e Sorgo.
Em Lucas do Rio Verde, essa dinâmica ocorre de forma integrada. A produção sustenta um parque industrial com capacidade para produzir mais de 600 milhões de litros de etanol de milho por ano, consolidando o município como referência em bioenergia.
Além disso, a fabricação de DDGs contribui para a nutrição animal, aumentando a eficiência da pecuária e ampliando o aproveitamento da matéria-prima. O sistema também abrange unidades de abate de suínos e aves, que utilizam o milho e seus derivados como base alimentar.
Segundo o prefeito Miguel Vaz, o cereal tem papel central no desenvolvimento local. Ele afirma que o modelo adotado permite aliar eficiência produtiva, agregação de valor e impacto econômico no município.


