Anvisa e PF intensificam combate ao mercado ilegal de canetas emagrecedoras

Ação conjunta mira medicamentos vendidos irregularmente pela internet e sem registro sanitário

Reprodução

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Polícia Federal anunciaram, nesta quarta-feira (6), a intensificação das ações conjuntas de combate ao mercado ilegal das chamadas canetas emagrecedoras no Brasil. A medida envolve medicamentos injetáveis utilizados no tratamento da obesidade, com substâncias como tirzepatida e semaglutida.

A parceria foi oficializada por meio de uma nota técnica conjunta que estabelece procedimentos integrados de fiscalização, investigação e repressão à comercialização irregular dos produtos.

Segundo o diretor da Anvisa, Daniel Pereira, a cooperação permitirá ampliar o enfrentamento a crimes e riscos sanitários relacionados à produção, importação e venda clandestina dos medicamentos, inclusive em plataformas digitais.

De acordo com ele, a medida ocorre em meio ao aumento de registros de eventos adversos associados ao uso das canetas emagrecedoras sem prescrição médica ou com produtos sem garantia de origem, qualidade e segurança.

A ação conjunta dá continuidade a operações já realizadas anteriormente, como a operação Heavy Pen, deflagrada no mês passado. Na ocasião, foram cumpridos 45 mandados judiciais de busca e apreensão e realizadas 24 ações de fiscalização em estados como Mato Grosso, Goiás, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

Segundo a Anvisa, as operações identificaram medicamentos sem registro sanitário, além de irregularidades em estabelecimentos envolvidos na fabricação e comercialização dos produtos.

Com a nova estratégia, medicamentos apreendidos em futuras operações serão analisados de forma integrada, com perícia da Polícia Federal e suporte técnico da Anvisa para identificar a composição das substâncias comercializadas ilegalmente.

A agência informou que, somente neste ano, foram realizadas 11 inspeções em farmácias de manipulação e empresas importadoras. As fiscalizações resultaram em oito interdições por falhas técnicas graves e ausência de controle de qualidade.

Ainda segundo a Anvisa, mais de 1,3 milhão de unidades de medicamentos injetáveis irregulares já foram apreendidas em 2026, além da aplicação de 11 medidas proibitivas relacionadas à importação, comercialização e uso dos produtos.

Na operação Heavy Pen, a Polícia Federal e a agência apreenderam mais de 17 mil frascos de tirzepatida manipulados irregularmente. Também foi identificada a presença de retatrutida, substância ainda sem registro em qualquer agência reguladora do mundo.

As investigações também apontaram movimentações financeiras irregulares de aproximadamente R$ 4,8 milhões, envolvendo quantidade suficiente de tirzepatida para produzir mais de 1 milhão de dispositivos injetáveis.

Segundo a Anvisa, a atuação integrada busca fortalecer o combate às organizações envolvidas na distribuição ilegal dos medicamentos e reduzir os riscos à saúde pública.

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