O Republicanos de Mato Grosso ingressou no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) com pedido de impugnação contra uma pesquisa eleitoral registrada sob o número MT-06232/2026, realizada pela empresa Percent Pesquisa de Mercado e Opinião Ltda.
O levantamento apontou o senador Wellington Fagundes (PL) na liderança da disputa pelo Governo de Mato Grosso e colocou o governador em exercício Otaviano Pivetta (Republicanos) em terceiro lugar, atrás também do senador Jayme Campos (União Brasil).
Na ação, o partido pede a suspensão imediata da divulgação dos resultados, a retirada do conteúdo do ar e, ao final do processo, aplicação de multa de até R$ 106,4 mil, valor máximo previsto na legislação eleitoral.
A impugnação foi apresentada pelo diretório estadual do Republicanos, presidido por Adilton Sachetti. A legenda argumenta que a pesquisa apresenta “profundas problemáticas” e não atenderia aos critérios técnicos estabelecidos pela Resolução nº 23.600 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que regulamenta pesquisas eleitorais.
Entre os questionamentos apresentados, o partido aponta suposta parcialidade na interpretação dos dados. Segundo a ação, declarações atribuídas ao sócio da empresa teriam extrapolado os resultados coletados ao mencionar, por exemplo, uma suposta “fadiga eleitoral” do eleitorado, sem que houvesse perguntas específicas sobre o tema.
O Republicanos também contesta a metodologia utilizada na pesquisa. A sigla afirma que haveria inconsistências entre o número de entrevistados, a distribuição regional da amostra e a representatividade dos municípios pesquisados.
Segundo o partido, cerca de 34,47% do eleitorado mato-grossense não teria sido contemplado pelo levantamento, já que apenas cidades selecionadas participaram da amostragem.
A ação ainda sustenta que municípios como Cuiabá, Rondonópolis, Sinop, Sorriso e Várzea Grande teriam sido super-representados em relação ao peso real de seus eleitorados. Em relação a Rondonópolis, cidade de origem de Wellington Fagundes, o Republicanos afirma que teria ocorrido uma supervalorização superior a 50%.
Outro ponto levantado pela legenda é a inclusão de pessoas a partir de 15 anos entre os entrevistados. Segundo o partido, parte desse público ainda não estaria apta a votar nas eleições, o que poderia comprometer a confiabilidade da margem de erro divulgada, de 2,83 pontos percentuais.
O Republicanos também argumenta que o registro da pesquisa não detalhou adequadamente o número de entrevistados por setor censitário, como exigido pela legislação eleitoral.
Com base nos argumentos apresentados, a legenda solicitou liminar para impedir a continuidade da divulgação do levantamento, alegando risco de influência indevida sobre a percepção do eleitorado.
O pedido ainda será analisado pela Justiça Eleitoral. Até eventual decisão do TRE-MT, as alegações representam a versão apresentada pelo Republicanos no processo.




