Estudo aponta municípios de MT entre áreas críticas de desmatamento

Pesquisa internacional identificou avanço do desmatamento e queimadas na zona de transição entre Cerrado e Amazônia

21.09.2010 - Sobrevoo do Estado do Amazonas, município de Lábrea, no sul amazonense. PA (Projeto de Assentamento) Monte. Foto Marizilda Cruppe/EVE/Greenpeace. Latitude -8.635994 Longitude -66.73111 Altitude 2007.943

Municípios do norte de Mato Grosso, como Nova Ubiratã, Nova Maringá, Feliz Natal e Marcelândia, aparecem entre as áreas mais pressionadas pelo avanço do desmatamento na Zona de Transição Cerrado–Amazônia, segundo um estudo internacional publicado na revista científica Biological Conservation.

A pesquisa analisou a dinâmica de degradação ambiental em uma área superior a 1,1 milhão de km² ao longo de 35 anos, entre 1986 e 2020. O levantamento foi realizado por pesquisadores da Universidade de Manchester, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e da organização norte-americana CTrees.

Os cientistas utilizaram imagens de satélite Landsat, inteligência artificial e modelos de aprendizagem profunda para diferenciar áreas impactadas por desmatamento e queimadas.

De acordo com o estudo, cerca de 493 mil km² da zona de transição sofreram algum tipo de distúrbio ambiental nas últimas três décadas. O desmatamento da Floresta Amazônica respondeu por 35% da degradação identificada, impulsionado principalmente pela expansão agropecuária. Já o desmatamento no Cerrado representou outros 20% da área degradada.

Os municípios mato-grossenses citados no levantamento concentram parte significativa das áreas afetadas e registraram forte avanço da atividade agrícola nas últimas décadas.

A pesquisa também apontou perda de resiliência dos ecossistemas. Segundo os dados, mesmo dez anos após incêndios, a floresta amazônica recuperou apenas 80% das condições anteriores ao fogo. No Cerrado, a recuperação ficou em torno de 60%.

Os pesquisadores informaram que a precisão do modelo utilizado foi baseada em dados coletados pelo Laboratório de Ecologia Vegetal da Unemat, que monitora parcelas permanentes na região de transição desde 1994. O sistema alcançou taxa de acerto entre 79% e 83%.

Os professores da Unemat, Beatriz Schwantes Marimon e Ben Hur Marimon Junior, afirmaram que o estudo confirma alterações ambientais observadas em campo há décadas.

Segundo eles, o levantamento amplia a dimensão regional da degradação e reforça que a zona de transição entre Cerrado e Amazônia está entre as áreas ambientais mais vulneráveis do planeta.

O estudo também destaca a baixa presença de áreas protegidas na região. Enquanto aproximadamente 28% da Amazônia está em unidades de conservação, apenas 2% da Zona de Transição Cerrado–Amazônia possui algum tipo de proteção ambiental.

Entre as medidas sugeridas pelos pesquisadores estão a ampliação de áreas protegidas, o fortalecimento da fiscalização contra queimadas e a implantação de programas de restauração florestal em áreas degradadas.

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