Celebrado em 29 de maio, o Dia Mundial da Soja marca a trajetória de uma cultura que se consolidou como um dos principais pilares do agronegócio brasileiro. Originária da Ásia, a soja tornou-se uma das commodities mais relevantes da economia nacional, impulsionando exportações, desenvolvimento regional e a modernização do campo.
Atualmente, o complexo soja, composto pelo grão, farelo e óleo, ocupa posição estratégica na balança comercial brasileira e abastece diversos setores da economia, incluindo as indústrias de alimentos, biocombustíveis, nutrição animal, farmacêutica e cosmética.
A expansão da cultura no Brasil ganhou força a partir da década de 1970, com o avanço das pesquisas voltadas à adaptação da soja às condições do Cerrado. O desenvolvimento de variedades adaptadas ao clima tropical, aliado à correção dos solos e à evolução das técnicas de manejo, permitiu a transformação de áreas antes consideradas inadequadas para a agricultura em regiões altamente produtivas.
Nesse cenário, Mato Grosso consolidou-se como o maior produtor de soja do país. Municípios como Sorriso, Sinop e Nova Mutum se destacam pela elevada produtividade e pela forte integração às cadeias globais de abastecimento.
Segundo o vice-presidente norte da Aprosoja Mato Grosso, Ilson José Redivo, a cultura tem papel fundamental na economia estadual.
“A cultura da soja representa a principal fonte geradora de riquezas de Mato Grosso, sendo responsável por mais de 40% do valor bruto da produção do estado. Ela gera empregos, renda e desenvolvimento para toda a sociedade”, afirmou.
Além de Mato Grosso, estados como Goiás também tiveram papel importante na expansão da soja brasileira. Regiões como o sudoeste goiano desenvolveram uma ampla estrutura agroindustrial, reunindo cooperativas, armazéns, indústrias de processamento, empresas de tecnologia e centros de pesquisa voltados ao agronegócio.
O crescimento da produção também fortaleceu outras cadeias produtivas. O farelo de soja é uma das principais matérias-primas utilizadas na alimentação animal, abastecendo setores como avicultura, suinocultura e bovinocultura. Já o óleo de soja é amplamente utilizado na fabricação de biodiesel e em diferentes segmentos industriais.
Nos últimos anos, o setor também passou por uma forte evolução tecnológica. Ferramentas digitais, melhoramento genético, bioinsumos e sistemas de plantio direto contribuíram para aumentar a produtividade e a eficiência das lavouras.
Para o coordenador de pesquisa do Centro Tecnológico Parecis, Rodrigo Hammerschmitt, a soja continua sendo uma das culturas que mais impulsionam a inovação agrícola no país.
“Por ser uma cultura estratégica e a principal atividade agrícola do estado, a soja impulsiona estudos relacionados ao melhoramento genético, adaptabilidade de cultivares, manejo do solo e controle de pragas e doenças”, destacou.
A história da soja também se confunde com a trajetória de milhares de famílias que participaram da ocupação produtiva do Cerrado. Um exemplo é o produtor Osvaldo Pasqualotto, que chegou a Mato Grosso em 1982 e acompanhou a transformação da região ao longo das últimas décadas.
Mais do que uma commodity agrícola, a soja consolidou-se como um dos principais motores do desenvolvimento econômico brasileiro, conectando ciência, tecnologia, produção de alimentos e geração de riqueza em diversas regiões do país.




