Estudantes realizaram uma passeata na sexta-feira (29), no campus Cuiabá da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), para protestar contra a misoginia e pedir a expulsão de dois alunos dos cursos de Direito e Engenharia Civil, apontados como envolvidos na criação de uma lista que classificava estudantes como “estupráveis”.
O ato foi organizado por alunos e contou com a participação de representantes da administração da universidade, professores e membros da comunidade acadêmica. Durante a manifestação, os participantes também cobraram medidas de segurança e ações de combate à violência contra as mulheres dentro da instituição.
Segundo o coordenador do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Whilber Rafael, a mobilização busca marcar uma posição da comunidade acadêmica diante de episódios de assédio e violência relatados por estudantes ao longo dos últimos anos.
A reitora da UFMT, Marluce Aparecida Souza e Silva, participou do ato e afirmou que a universidade está atuando no enfrentamento de situações de violência e discriminação. Ela destacou que a instituição não irá tolerar práticas relacionadas à misoginia, machismo e outras formas de violência.
Docentes de diferentes cursos também acompanharam a manifestação. Entre as reivindicações apresentadas pelos estudantes estão a ampliação das medidas de segurança no campus e a adoção de punições aos envolvidos no caso.
De acordo com o vice-reitor Silvano Macedo Galvão, os dois estudantes investigados foram suspensos preventivamente. O caso será analisado pela Comissão de Processo Disciplinar Estudantil, que deverá emitir uma decisão em até 60 dias. Conforme a gravidade dos fatos apurados, os alunos poderão ser expulsos da universidade.
O professor José Japonês, dirigente da Fundação Uniselva, afirmou que a instituição adotou as medidas administrativas cabíveis e que a apuração seguirá os trâmites previstos.
Uma das organizadoras da manifestação, a estudante de Jornalismo Nathaly Timote afirmou que a comunidade acadêmica reivindica mais segurança dentro da universidade. Segundo ela, estudantes costumam adotar medidas preventivas, como circular em grupo, principalmente durante o período noturno.
O caso ganhou repercussão após o Centro Acadêmico de Direito (Cadi) denunciar a circulação de mensagens em aplicativos nas quais estudantes discutiam a criação de uma lista classificando alunas ingressantes como “estupráveis”. Também foram identificadas mensagens com referências à intenção de molestar colegas.
Após a denúncia, os dois estudantes citados foram suspensos preventivamente. Com a repercussão do caso, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) instaurou procedimento administrativo para apurar possíveis crimes relacionados ao conteúdo das mensagens.





