Os recentes tremores registrados no Tocantins e no litoral do Rio de Janeiro voltaram a chamar atenção para a atividade sísmica no Brasil. Embora o país esteja fora das principais zonas de terremotos do planeta, o maior abalo sísmico já documentado em território brasileiro ocorreu em Mato Grosso, em 1955, com magnitude estimada em 6,2.
O terremoto foi registrado na madrugada de 31 de janeiro daquele ano na região da Serra do Tombador, área que atualmente integra o município de Juara, no norte mato-grossense. Na época, a localidade era desabitada e ainda não fazia parte de um município oficialmente constituído, o que contribuiu para a escassez de relatos sobre o evento.
Segundo a Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), o tremor atingiu intensidade VII na Escala Mercalli Modificada, classificação considerada forte e capaz de provocar danos significativos em edificações vulneráveis.
Pesquisadores apontam que o abalo foi sentido até mesmo em Cuiabá, a cerca de 380 quilômetros do epicentro. Na capital mato-grossense, a intensidade estimada ficou entre os níveis IV e V da Escala Mercalli, suficiente para ser percebida pela população e provocar movimentação de objetos.
De acordo com especialistas, o terremoto não teve relação com o encontro de placas tectônicas, como ocorre em países situados no chamado Círculo de Fogo do Pacífico. O fenômeno foi classificado como um terremoto intraplaca, provocado por movimentações geológicas no interior da Placa Sul-Americana.
Outro fator que chamou a atenção dos pesquisadores foi a profundidade do evento. O tremor ocorreu a pouco mais de 10 quilômetros da superfície, característica que potencializa os efeitos sentidos em áreas próximas ao epicentro.
Apesar de terremotos mais fortes terem sido registrados no Acre nos últimos anos, com magnitudes de 6,8 em 2019 e 6,6 em 2023, especialistas explicam que esses eventos estão associados aos processos tectônicos da Cordilheira dos Andes e, por isso, não são classificados geologicamente como terremotos originados na estrutura interna do território brasileiro.
Mais de sete décadas após o episódio, pesquisadores afirmam que novos tremores de grande magnitude podem ocorrer na região, embora não seja possível prever quando isso aconteceria. Caso um terremoto semelhante ao de 1955 fosse registrado atualmente, os impactos seriam potencializados pela expansão populacional e urbana observada no norte de Mato Grosso nas últimas décadas.
A atividade sísmica da região continua sendo monitorada. A cerca de 110 quilômetros da Serra do Tombador, no município de Porto dos Gaúchos, diversos tremores foram registrados entre 1959 e 2005. A recorrência levou os especialistas a classificarem a área como Zona Sísmica de Porto dos Gaúchos, considerada uma das regiões com maior atividade sísmica do país.
Atualmente, Juara possui população estimada em mais de 36 mil habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realidade bastante diferente da encontrada quando ocorreu o maior terremoto já registrado em território brasileiro.




