Setor madeireiro de MT critica burocracia; contêineres ficam até 120 dias parados

Excesso de regras do Ibama atrasa exportação de espécies como Ipê e Cumaru; em 2025, estado exportou US$ 596 milhões em madeira.

Cipem

O setor madeireiro de Mato Grosso tem enfrentado dificuldades para manter sua competitividade no mercado internacional devido ao aumento da burocracia. Em entrevista nesta quarta-feira (28), o presidente do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira (Cipem), Ednei Blasius, alertou que os entraves logísticos e documentais estão prejudicando o crescimento do segmento.

Segundo o Cipem, o excesso de regulamentações, especialmente as impostas pelo Ibama, impacta diretamente o comércio de madeiras nobres como Ipê e Cumaru. A complexidade na documentação faz com que contêineres fiquem retidos em portos por períodos que variam de 90 a 120 dias.

Impacto no mercado

Os atrasos têm forçado produtores a focar no mercado interno, que é menos burocrático. Em 2025, o cenário foi o seguinte:

  • Exportações: US$ 596 milhões movimentados.

  • Mercado Interno: R$ 1,46 bilhão (46% do volume financeiro).

  • Principais compradores: Estados Unidos (madeira nativa), China e Índia (teca).

“Precisamos trabalhar muito a legislação que está emperrando e dificultando a vida do produtor”, afirmou Blasius.

Recuperação e concorrência

Apesar das tarifas elevadas aplicadas pelos Estados Unidos no passado, o setor conseguiu recuperar parte do mercado externo. No entanto, o Cipem destaca que, sem uma simplificação das leis, o Brasil corre o risco de perder competitividade para outros mercados que entregam produtos com maior agilidade.

Atualmente, a madeira “premium” de Mato Grosso, utilizada em pisos e decks de luxo, segue com alta demanda internacional, mas depende da redução de entraves portuários para expandir.

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