Banco Central abre investigação interna sobre o caso do Banco Master

Investigação determinada por Gabriel Galípolo busca apurar falhas na fiscalização; ex-diretor de Fiscalização deixa o cargo de confiança após divergências com o comando da autarquia.

Reprodução

O Banco Central (BC) conduz uma investigação interna rigorosa para analisar como a autarquia fiscalizou o Banco Master nos últimos anos. A sindicância, apelidada nos bastidores de “autópsia”, foi solicitada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, e abrange desde a ascensão do conglomerado de Daniel Vorcaro até a sua liquidação, ocorrida em novembro de 2025.

O processo corre sob sigilo na Corregedoria do órgão. O objetivo é dar transparência à atuação do regulador e identificar possíveis brechas que permitiram fraudes bilionárias em carteiras de crédito vendidas a outras instituições, como o BRB.

Saída de servidores experientes

A crise no Master provocou abalos no corpo funcional do BC. Nesta quinta-feira (29), foi confirmada no Diário Oficial da União (DOU) a saída de Paulo Souza, ex-diretor de Fiscalização e figura influente na autarquia.

Souza estava no comando da área em 2019, quando o BC autorizou Vorcaro a comprar o então Banco Máxima (rebatizado de Master). Relatos indicam que ele e Galípolo tiveram discussões acaloradas sobre os balanços da instituição. Além dele, Belline Santana, ex-chefe do departamento de Supervisão Bancária, também deixou o posto. Até o momento, não há acusações formais contra os servidores.

Riscos e Estratégia

Ao ordenar a investigação, Galípolo mapeou riscos, mas optou pela “autópsia” para evitar omissões:

  • Desgaste interno: Os servidores envolvidos têm quase 30 anos de casa e são respeitados pelos pares.

  • Uso pela defesa: Existe o temor de que os advogados de Daniel Vorcaro utilizem trechos da sindicância para tentar anular decisões anteriores.

  • Transparência: O BC quer garantir que o mercado e a sociedade compreendam que o órgão está disposto a corrigir seus próprios processos.

Aval do TCU

Paralelamente, o Tribunal de Contas da União (TCU) também analisa a conduta do Banco Central. Segundo apurações, o ministro relator, Jhonatan de Jesus, deve emitir um parecer favorável ao BC.

A auditoria técnica preliminar indicou que o regulador não foi omisso e manteve monitoramento contínuo sobre o Master a partir de meados de 2024, quando as fragilidades ficaram mais evidentes.

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