17/11/2016 às 05h26min - Atualizada em 17/11/2016 às 05h26min

Mensagens revelam medo de aluno morto após treinamento

Pelo WhatsApp, jovem relatou à mãe uma suposta perseguição por parte de tenente da corporação

Mídia News
Jane (de rosa) diz que vai lutar para que outras outras mães não sofram da mesma forma (Marcus Mesquita/MidiaNews)

Em mensagens enviadas à mãe, o aluno do Curso de Formação do Corpo de Bombeiros, Rodrigo Claro, que morreu nesta terça-feira (15) após cinco dias internado, revelou o receio de fazer o treinamento aquático comandado por uma tenente da corporação.

Rodrigo foi internado na UTI do Hospital Jardim Cuiabá na semana passada, após supostamente passar por uma sessão de afogamento na Lagoa Trevisan, durante o treinamento.

Em uma das mensagens de WhatsApp, enviada no dia da aula em que passou mal, o jovem diz que está “meio que prometido” e a mãe, Jane Claro, afirma que tudo é “somente pressão”.

Rodrigo continua, dizendo que a tenente – a mesma que estava coordenando a atividade aquática – estava pegando em seu pé.

“E hoje ela vai tá lá. Por isso fico com medo”, escreveu o rapaz, na mensagem.

Jane falou com a imprensa na tarde desta quarta-feira (16), na porta do 1º Batalhão dos Bombeiros, no Bairro Verdão, minutos antes de começar o velório do filho.

As mensagens foram enviadas antes da aula. A última conversa que ela teve com Rodrigo foi ao final do dia, antes de ser internado.

“Ele enviou uma mensagem assim que saiu da lagoa, dizendo que estava mal e que estava indo para a coordenação do 1º Batalhão”.

Depois disso, só foi comunicada que Rodrigo tinha tido duas convulsões e que seria transferido para um hospital particular.

O rapaz ficou em coma até a noite de terça-feira (15), quando foi confirmada sua morte.

“Não nos deram a causa da morte. Tudo é um grande segredo. Agora temos que aguardar o laudo do Instituto Médico Legal”, disse.

"Destruídos"

Agora, a família espera por Justiça. Sobre a atuação da tenente apontada como autora do suposto afogamento, Jane disse que o Corpo de Bombeiros não informou nada.

“Ele se foi, deixou o pai e a mãe chorando. Os irmãos estão destruídos. A avô e o avó foram para casa hoje sem o neto. Não tenho muito o que falar. O sentimento é de revolta. Não questiono Deus, mas a revolta é grande”.

Jane explica que existem muitos questionamentos que não fazem sentido.

“Por que tanta atrocidade? Por que deixam pessoas fazerem isso com as outras? São pessoas que estão ali para salvar vidas e, de repente, matam um seu. Fica difícil expressar o sentimento no meu coração nesse momento”, disse.

Sobre possíveis problemas de saúde do filho, a mãe afirmou desconhecer qualquer um deles.

“Para começar, quando ele entrou no Corpo de Bombeiros, fez todos os exames exigidos no edital e foi aprovado em todos. Não foi constatada nenhuma doença”, lembrou.

Em Tangará da Serra, onde a família morava, ele passava com consultas de rotina, sem que nada tenha sido identificado, segundo a mãe.

"Sonho"

Jane conta que Rodrigo estava realizando um sonho, mas que, ainda assim, chegou a reclamar algumas vezes do treinamento.

“Rodrigo sempre reclamava de uma coisa ou outra. Sabemos que o curso militar não é fácil e isso não é nenhuma novidade, mas era o sonho dele. Ele tinha muita admiração pelo pai – que também é bombeiro militar – e por outros militares”, ressaltou.

Ele estava morando em Cuiabá ao lado do pai e ambos iriam formar na corporação no próximo dia 1º de dezembro.

“Conversei com colegas do curso e todos confirmaram a questão do ‘caldo’ [afogamento forçado] e que só meu filho estava nessa situação, dentro de 30 e poucos alunos”.

Segundo Jane, a luta até terça-feira era para que o filho continuasse vivo. “O foco era ter ele aqui e levá-lo para casa. Mas não aconteceu e ele morreu. Agora, eu vou lutar para que outras mães não passem pelo que estou passando hoje e que não sintam a dor que eu estou sentindo”.

O caso

Conforme noticiado pelo MidiaNews, uma fonte próxima do aluno contou à reportagem que, durante o treinamento, Rodrigo teria passado por uma sessão de afogamentos.

“Ela [que seria a tenente] subiu no ombro dele, o forçando a ficar embaixo d’água. Ele chegou a reclamar, que estava se afogando, mas só foi tirado da água quando apresentou uma exaustão. E ainda o mandaram ir embora, que era para ele sumir de lá”, contou a fonte.

No entanto, em nota, o Corpo de Bombeiros informou que o aluno passou mal ao fazer uma travessia a nado com os demais companheiros do curso.

“Mesmo assim, o comandante-geral da instituição determinou a abertura de um procedimento administrativo para apuração dos fatos”.

O Corpo de Rodrigo será encaminhado para Tangará da Serra ainda nesta terça-feira e será sepultado em Sinop, onde toda sua família reside.


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