18/11/2016 às 05h31min - Atualizada em 18/11/2016 às 05h31min

“Tite mostrou à Seleção que ninguém é melhor do que ninguém”, diz Pelé em Curitiba

por William Bittar

O melhor jogador de todos os tempos está em Curitiba para diversos compromissos e em entrevista coletiva nesta quinta-feira (17), Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, falou sobre muitas coisas, mas principalmente sobre a saúde, futebol e o encontro com o juiz federal, Sérgio Moro. Questionado sobre os problemas de saúde, principalmente sobre a cirurgia no quadril, o Rei do Futebol, aos 76 anos, disse que ‘ainda não pode jogar’, mas que está muito bem. “Infelizmente não estou podendo treinar com os companheiros, mas é bom que não tem jogo hoje”, brincou Pelé, no início da entrevista. O craque ainda falou que o problema não é o quadril, mas a perna esquerda que ficou ‘sobrecarregada’. “Eu forcei tanto a perna esquerda durante a recuperação que ela está me incomodando, mas estou muito bem de saúde e todos podem ficar tranquilos que eu vou jogar”.

Quando o assunto foi futebol, o Rei, com simpatia e carisma, falou sobre a seleção brasileira e o técnico Tite. “O Tite está fazendo um belíssimo trabalho, conseguiu montar um elenco muito bom e agora começa a vislumbrar a Copa da Rússia, já que estamos praticamente classificados”, resumiu o tricampeão mundial que ainda falou sobre o elenco. “O Tite também mostrou para eles que ninguém é melhor do que ninguém na seleção e por isso, todos jogam de maneira muito similar facilitando o jogo e as vitórias”.

Seleção de 1969 e Seleção de 2016

Em uma das perguntas, Pelé falou sobre a relação entre a seleção de 1969 e a atual, já que sob o comando de Tite, são seis vitórias seguidas, iguais as conquistadas por João Saldanha nas Eliminatórias de 69. “Aquela seleção foi muito criticada, pois questionavam a quantidade de jogadores com a ‘camisa 10’, pois era eu, o Dirceu, o Gérson, e aí diziam que o time não ia ganhar nada, mas em 70 conquistamos o bicampeonato mundial”. Ainda relembrando a seleção de 1969, não deixou de falar sobre a morte do amigo Carlos Alberto Torres, o Capita. “Nós sabemos que existe tempo para tudo, mas o Capita era um dos meus poucos amigos na seleção, foi uma perda muito grande”.

Neymar e a Copa do Mundo no Brasil

Com Neymar em ótimo momento, o Rei ainda falou sobre uma conversa que teve com o craque. “Uma vez ele me falou: Pelé os caras ficam me batendo, dando ‘chutinho’ no calcanhar, mas eu disse que levava cotovelada na cara e os caras chegavam forte quando eu jogava e falei para ele parar com isso, pois o Messi é o melhor hoje justamente por saber aturar esse tipo de provocação dentro de campo”.

Para Pelé, Neymar pode ser o melhor do mundo logo e ainda ressaltou que o craque não pode levar a responsabilidade pelo fracasso na última Copa. “Aquela seleção estava mal, o conjunto estava mal, então não é porque o Neymar não jogou que o Brasil levou aquele 7 a 1 e depois perdeu o terceiro lugar contra a Holanda. Ele ainda não estava maduro o suficiente como deve estar em 2018”.

Encontro com Sérgio Moro

Na passagem pela capital paranaense, Pelé ainda vai se encontrar com o juiz federal, Sérgio Moro, e disse que não deve falar muito com o responsável pelos julgamentos da Operação Lava Jato. “Assim como eu, acho que o Moro também é de Três Corações (fazendo menção à cidade onde nasceu em Minas Gerais), pois a vida dele não deve estar nada fácil. A responsabilidade dele, o comprometimento, só posso agradecer a oportunidade de me encontrar com ele e desejar que Deus o abençoe e dê sabedoria para que ele consiga fazer tudo isso que está fazendo da maneira certa”.


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