18/11/2016 às 05h57min - Atualizada em 18/11/2016 às 05h57min

Empresário mata marido de ex-funcionária para não pagar indenização trabalhista

Empresário matou a tiros o marido de um ex-funcionária para impedir que processo de indenização continuasse

Mayra Bandeira
Foto: Bernardo Coutinho

Para não pagar indenização em um processo trabalhista, o empresário Ranniery Silva Buquer, 29 anos, matou com cinco tiros o marido de uma ex-funcionária, na Serra. Frio, ele confessou o crime e disse que não se arrepende.

O auxiliar de serviços gerais Deivid Kellvin Miranda de Souza, 21 anos, foi assassinado em agosto do ano passado, mas só agora o suspeito foi preso, em uma operação da Delegacia de Crimes Contra à Vida (DCCV) da Serra.
Para tentar justificar a morte de Deivid, o empresário afirma que a vítima havia ameaçado a mulher dele de morte, motivação descartada pela polícia.
“O real motivo da morte foi em razão da funcionária dele ter ingressado com uma ação trabalhista na Justiça. Ele não teria gostado da ação, começou a ameaçar e coagir, eles não retiraram essa ação e, em razão disso, o Deivid foi morto”, revelou o delegado Rodrigo Sandi Mori.
O delegado contou que a esposa de Deivid trabalhou como atendente no restaurante de Ranniery por cerca de um ano e meio, mas foi demitida junto com uma outra funcionária.
A mulher então, orientada pelo marido, entrou com um processo na justiça do trabalho contra o empresário, pedindo indenização. “Ele trabalhava de forma errada, não pagava os direitos dos funcionários, não assinava carteira de trabalho. Era tudo de forma ilegal”, disse Sandi Mori.
O processo trabalhista acabou gerando uma briga entre Deivid e a esposa com Ranniery e a mulher. “Ele ficou sabendo dessa ação e passou a coagir as ex-funcionárias para desistirem do processo. Em razão disso, houve uma briga. O Ranniery alega que no meio dessa confusão, a esposa dele foi ameaçada de morte pelo Deivid”, contou o delegado.
SEM REMORSO
Ranniery confessou o crime e disse que se precisasse, mataria de novo. “Ele foi lá, ameaçou a minha mulher, dentro do meu restaurante, e eu falei que não ia ficar assim. Eu disse que ia correr atrás, pegar ele e peguei mesmo. Se mexer com a minha mulher, só lamento. Vou matar mesmo”, sentenciou Ranniery.
Depois da briga, Ranniery disse que passou a monitorar a vítima. Ele descobriu o local onde Deivid morava e, no dia 31 de agosto, pegou um carro emprestado com um amigo e ficou de campana, esperando a vítima. Quando o jovem chegava em casa, foi surpreendido pelo suspeito, que atirou cinco vezes.
“Ele estava a uns 300 metros de casa. Vi ele sozinho, fui lá e atirei”, contou Ranniery. Depois de matar Deivid, o empresário fugiu.
Em dezembro de 2015, o acusado chegou a ser preso e autuado por porte ilegal, mas pagou fiança e foi liberado. Ele estava com um revólver calibre 38.
A arma foi encaminhada para balística, que comprovou o uso dela no crime. Ranniery foi preso em casa, em Colina de Laranjeiras. Ele vai responder pelo crime de homicídio qualificado.

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