21/11/2016 às 06h41min - Atualizada em 21/11/2016 às 06h41min

O crime pode não compensar, mas a delação, sim

Da Veja
Dos 94 condenados por crimes investigados na Operação Lava Jato, 27 optaram pela colaboração com a Justiça, contaram o que sabiam sobre o escândalo de corrupção e tiveram suas penas drasticamente reduzidas: de 627 anos, somadas todas as sentenças, para 87 - um desconto de 85%. E isso sem contar os efeitos de 15 acordos ainda protegidos por segredo de Justiça.
Os maiores beneficiados foram o doleiro Alberto Youssef, que deixou o Complexo Médico Penal nesta quinta-feira (17), e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto, que já tirou a tornozeleira eletrônica e progrediu do regime semiaberto para o aberto no início deste mês. Peças centrais do esquema desbaratado na Lava Jato, eles receberam as penas mais altas entre todos os condenados (122 e 74 anos de prisão), mas, tendo puxado a fila das delações, foram bem recompensados e acabaram sentenciados a apenas 3 e 2 anos, respectivamente.
Para quem optou pelo silêncio, a perspectiva é duríssima. Até agora, as sentenças somam 846 anos, uma média de 12 anos para cada um dos 67 condenados que não fizeram acordo de delação. As mais severas são as do ex-diretor da Petrobras Renato Duque (que soma 50 anos de pena), do ex-presidente da Eletronuclear Othon Pinheiro da Silva (43 anos), do ex-presidente da Engevix Gerson Almada (34 anos) e do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto (30 anos). Certos da condenação, muitos decidiram negociar com os procuradores — caso dos empresários da Odebrecht e OAS, entre outros.
A maior parte dos processos foi julgada pelo juiz federal paranaense Sergio Moro, mas há também condenações – igualmente duras – decididas pelo juiz Marcelo Bretas, da Justiça Federal do Rio de Janeiro, no caso do eletrolão. Outras ações tramitam no Distrito Federal e em São Paulo. E há, ainda, os casos que estão no Supremo Tribunal Federal por envolverem políticos com foro privilegiado. Nenhum desses processos foi julgado até o momento.

 
 

540 anos de perdão

Compare o total das penas de todos os condenados, antes e depois do abrandamento das sentenças facultado pelos acordos de delação

 
 

Todas as penas

Confira as punições impostas a cada condenado e a quanto foram reduzidas em função dos acordos

 
 

Todos os condenados

Conheça as penas da cada um e as condições em que estão sendo cumpridas. Clique nas fotos para saber mais sobre as penas e a situação dos condenados
 
 

Alberto Yousef

Doleiro

Paulo Roberto Costa

Ex-diretor da Petrobras

Renato Duque

Ex-diretor da Petrobras

Pedro Barusco

Ex-gerente da Petrobras

Othon Pinheiro

Ex-presidente da Eletronuclear

Gerson Almada

Ex-presidente da Engevix

João Vaccari Neto

Ex-tesoureiro do PT

Julio Camargo

Lobista

Léo Pinheiro

Ex-presidente da OAS

Nestor Cerveró

Ex-diretor da Petrobras

Otávio Marques de Azevedo

Ex-presidente da Andrade Gutierrez

José Antunes Sobrinho

Ex-executivo da Engevix

Clóvis Peixoto Primo

Ex-executivo da Andrade Gutierrez

Fernando Soares (Baiano)

Lobista

José Dirceu

Ex-ministro do PT

Pedro Correa

Ex-presidente do PP

Flávio Barra

Ex-executivo da Andrade Gutierrez

Gustavo Andrade Botelho

Ex-executivo da Andrade Gutierrez

Milton Pascowitch

Operador

Marcelo Odebrecht

Ex-presidente da Odebrecht

Márcio Faria da Silva

Ex-executivo da Odebrecht

Rogério Araújo

Ex-executivo da Odebrecht

Sérgio Cunha Mendes

Ex-vice-presidente da Mendes Júnior

Gim Argello

Ex-senador do PTB

Ricardo Pessoa

Ex-presidente da UTC

Mario Goes

Lobista

Jose Adolfo Pascowitch

Operador

Nelma Kodama

Doleira

Rogério Cunha de Oliveira

Ex-diretor da Mendes Júnior

Rogério Nora de Sá

Ex-executivo da Andrade Gutierrez