21/11/2016 às 11h43min - Atualizada em 21/11/2016 às 11h43min

Polícia identifica sete mortos na Cidade de Deus

Extra

A Divisão de Homicídios (DH) identificou os sete mortos na Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio, durante o fim de semana. São eles: Leonardo Camilo da Silva, de 30 anos; Rogério Alberto de Carvalho Júnior, de 34; Marlon César Jesus de Araújo, de 22; Robert Souza dos Anjos, de 24; Renan da Silva Monteiro, de 20; Leonardo Martins da Silva Júnior, de 22; e um adolescente, de 17. Os corpos foram localizados numa região de mata na comunidade, conhecida como Conjunto Itamar, pelos próprios moradores.Todos eles tinham marcas de tiros.

Segundo a Polícia Civil, a DH já instaurou um inquérito para investigar as circunstâncias da morte. Parentes de todos serão ouvidos na especializada.

Grupo envolveu corpos em lençóis

Os cadáveres recolhidos pelos moradores foram cobertos por lençóis. Eles transportaram os cadáveres até um comércio, onde ficaram até a chegada da perícia - a equipe teve que ser escoltada por um blindado da PM e por homens do Batalhão de Choque. Na ocasião, alguns parentes dos jovens falaram que eles foram executados por policiais.

Anistia Internacional comenta guerra na Cidade de Deus

Em nota divulgada neste domingo, a Anistia Internacional comentou a situação de guerra vivida pela Cidade de Deus desde sábado - durante todo o dia houve intenso tiroteio na comunidade e, à tarde, um helicóptero da PM caiu no local. No texto, a organização ainda chamou a atenção para o que classificou como "alto padrão de letalidade" nas ações policiais do Rio.

Confira um trecho da nota:

"Na manhã deste domingo (20/11), sete jovens foram encontrados mortos na Cidade de Deus, zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, após longa operação policial que começou na manhã de sábado. Os jovens estavam desaparecidos desde a operação policial de sábado e foram encontrados por familiares e moradores em um terreno baldio / mata na favela. A operação policial, que ainda segue neste domingo, resultou em horas de intenso tiroteio deixando moradores da favela expostos a uma situação de alto risco as suas vidas. As vias de acesso à favela foram cercadas pela polícia e moradores descrevem que estão "sitiados", "ilhados" e temendo por mais horas de violência. Durante a operação no sábado, um helicóptero da Polícia Militar caiu resultando na morte dos quatro policiais que estavam a bordo. Ainda não se sabe o motivo da queda. Até às 14h deste domingo, são pelo menos 11 mortos na operação policial na Cidade de Deus, mas moradores relatam a possibilidade de que ainda existam outros.

O fim de semana foi marcado por operações policiais em outras favelas da cidade do Rio de Janeiro, como o Complexo do Alemão, Acari, Borel e Complexo da Maré, o que resultou também em longas horas de tiroteios entre policiais e grupos criminosos. Em outras áreas da cidade, conflitos entre os grupos criminosos também resultaram em longas horas de tiroteios.

As operações policiais no Rio de Janeiro seguem um padrão de alta letalidade, deixando centenas de pessoas mortas todos os anos, inclusive policiais no exercício de suas funções. Em geral, são operações altamente militarizadas, que seguem uma lógica de guerra (neste caso, guerra às drogas), que enxerga as área de favelas e periferias como territórios de exceção de direitos e que resultam em inúmeros outros abusos além das execuções, tais como invasão de domicílio, agressão física e verbal, e cerceamento do direito de ir e vir".


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