26/11/2016 às 05h36min - Atualizada em 26/11/2016 às 05h36min

Estudante quebra barreiras e conquista medalha de ouro nas Paralimpíadas

Mesmo com enormes dificuldades por causa da paralisia cerebral, Marcos do Amaral não deixou de lutar pelo sonho

Página Press
Marcio Camilo
Marcos, no centro, juntamente com membros da delegação de Mato Grosso - Foto por: Marcio Camilo - Seduc/Sael-MT

O estudante Marcos do Amaral (12 anos), da cidade de Paranatinga (a 338 quilômetros de Cuiabá) conquistou a medalha de ouro no tênis de mesa das Paralimpíadas Escolares em São Paulo. A vitória ocorreu nesta quinta-feira (25), no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, na capital paulista.

Marcos passou por uma cirurgia no quadril há quatro meses, por isso teve pouco tempo para treinar. Ele teve paralisia cerebral durante o parto e isso afetou sua coordenação motora.

Marcos já passou por duas cirurgias no quadril. A primeira foi aos seis anos de idade. Ele teve que fazer o procedimento, pois o quadril estava luxado e os ossos em atrito. Isso provocava muitas dores no menino, principalmente durante a noite e madruga. “Ele chegava a chorar de tanta dor”, recorda sua mãe, Lúcia Gonçalves do Amaral.

Nessa época, Marcos estava fazendo atletismo e escondia as dores para que os pais o deixasse treinar no outro dia. “Podia estar doendo muito, mas ele segurava, não reclamava só para continuar os treinos”, conta Lúcia.

Depois da segunda cirurgia no quadril, Marcos focou o treino na modalidade de tênis de mesa. Mas devida a dificuldade em se mover, o treino dele foi todo adaptado por sua treinadora, Andressa Ueharo e a auxiliar técnica Luana Estefani Neto.

“No início eu amarrava um cordão na cintura dele e ficava atrás, caso ele perdesse o equilíbrio durante os treinos na mesa de tênis. Até umas duas semanas antes das paralímpiadas ele treinava assim”, recorda Ueharo.

Na disputa em São Paulo, não havia adversário para Marcos com a mesma classificação de deficiência. Ou seja, ele teve que enfrentar estudantes que estavam duas categorias acima da dele.

Mesmo assim, Marquinhos, como é carinhosamente chamado pelos colegas, não se intimidou e encarou de igual para igual seus adversários. A cada ponto que ele fazia, a cada bola que ele se esforçava para rebater, Marcos ganhava o incentivo dos paratletas e técnicos da delegação de Mato Grosso que se mobilizaram para torcer pelo garoto.

Os pais de Marcos, que atravessaram o país para ver o filho jogar, ficaram emocionados com a disposição, garra e força de vontade de vencer do filho. “Meu coração ficou acelerado o tempo todo. É uma grande vitória, um milagre ele estar aqui, porque, pelo diagnóstico dos médicos, não era nem para ele estar andando. Ele fez cirurgia há quatro meses, ficou engessado durante 70 dias e teve apenas uns dois meses para treinar. Ele já é um campeão independente de medalha”, disse a mãe toda orgulhosa.

Apesar de ter perdido as partidas que disputou, Marquinhos conquistou a medalha de ouro, já que não havia outros estudantes dentro de sua classificação por deficiência. “Queria muito estar aqui e realizei o meu sonho. No ano vem, quero treinar e disputar os jogos de novo”, disse Marquinhos.

A ida da delegação de Mato Grosso às Paralimpíadas Escolares em São Paulo é uma articulação do Governo do Estado, por meio da Superintendência de Políticas Esportivas da Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer (Seduc/Sael-MT). Também compõe delegação, o secretário adjunto de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (da Casa Civil), Marcione Mendes de Pinho.

Mato Grosso participa das paralimpíadas com 11 atletas nas modalidades de tênis de mesa, natação, atletismo, judô e tênis de quadra em cadeira de rodas. Eles vêm das cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Paranatinga, Colíder, Santo Antônio do Leverger e Itaúba.

As Paralimpíadas Escolares é uma realização do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).      


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