27/11/2016 às 17h09min - Atualizada em 27/11/2016 às 17h09min

Gaeco revela que Riva e empresário combinaram "culpar" morto por desvios

Ex-deputado atribuiu repasses a Claudinei Teixeira Diniz como forma de quitar dívida com Caio da Droga Chick, morto no ano passado

Folha Max
Leonardo Heitor

A denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPE) relativa a Operação Ventríloquo apontou que o empresário Claudinei Teixeira Diniz, o "Chumbinho", e o ex-deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Geraldo Riva, tentaram justificar o recebimento de recursos oriundos do desvio de cerca de R$ 9,5 milhões, utilizando-se de um empresário já falecido.

O documento enviado à Justiça pelo MPE afirma que Claudinei, que atua no ramo farmacêutico, inicialmente declarou que os valores recebidos por uma de suas empresas, através de cheques de Joaquim Fábio Mielli Camargo, poderiam estar relacionados à venda de um terreno no Lago do Manso. Posteriormente, o empresário alegou que os valores se referiam a um crédito que tinha a receber da pessoa de Caio Cesar Sandoval, proprietário da rede de Drogarias Chick, morto vítima de um câncer em julho de 2015.

Em seu depoimento, Riva afirmou que os valores recebidos pelas empresas Miramed e Globo, através de cheques emitidos por Joaquim Mielli, tinham por escopo quitar dívidas dele (Riva) com as mencionadas empresas. O ex-deputado mudou sua versão e afirmou que devia cerca de R$ 400 mil para Caio em compra de remédios.

“Ouvido novamente em Juízo, no dia 23 de junho de 2016 (oportunidade em que o denunciado Claudinei há alguns dias havia mudado de versão neste GAECO), José Geraldo Riva retificou seu interrogatório anterior, declarando que realmente devia dinheiro ao Caio, relativo à compra de remédios (quatrocentos mil reais), sem apresentar qualquer documento que comprovasse o alegado, restando evidenciado que o denunciado Claudinei e Riva "combinaram" seus depoimentos no sentido de atribuir a uma pessoa falecida os valores repassados por Joaquim Fábio Mielli Camargo”, diz um trecho da denúncia.

A operação, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), apontou um esquema que desviou cerca de R$ 9,5 milhões dos cofres do Legislativo. Segundo o MPE, a fraude envolveu também os deputados Mauro Savi, Gilmar Fabris e Romoaldo Júnior. A denúncia aponta que Riva, “mesmo afastado da Presidência da Casa por conta de uma decisão judicial, era o “presidente de fato", motivo pejo qual, inclusive, jamais deixou de despachar no Gabinete da Presidência”. 

“As investigações revelaram às escâncaras que José Geraldo Riva foi o maior beneficiário dos recursos desviados e líder do bando criminoso”, diz um trecho da denúncia.

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso, por intermédio do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) e do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), ingressou na última terça-feira com a terceira denuncia relacionada as investigações da "Operação Ventríloquo"'. Desta vez, foram denunciados os deputados estaduais Romoaldo Aloisio Boraczynski Junior (PMDB), Mauro Luiz Savi (PR) e Gilmar Donizete Fabris (PSD).

Além deles outras 9 pessoas foram denunciadas. São empresários e servidores do Legislativo, como o caso do atual secretário Legislativo, Odenil Rodrigues de Almeida. 

Outros denunciados são Ana Paula Ferrari Aguiar, José Antonio Lopes, Claudinei Teixeira Diniz, Marcelo Henrique Cini, Cleber Antônio Cini, Valdir Daroit, Leila Clementina Sinigaglia Daroit, Odenil Rodrigues de Almeida, e Edilson Guermandi de Queiroz.


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