27/11/2016 às 17h22min - Atualizada em 27/11/2016 às 17h22min

China exige soja livre para consumo humano e pode vializar produção

Redação
Para fomentar a cultura de soja livre e aproveitar o nicho de mercado, nesta quinta (24) ocorreu o lançamento do Programa Soja Livre Safra 2016/17

Mato Grosso tem a maior área de soja não transgênica do mundo. Segundo o Instituto Mato-grosssense de Economia Agropecuária (Imea), na safra 2015/16 foram 15% da área total plantada no estado e a meta, para a safra atual, é que seja superior a 10% do total semeado. Para fomentar a cultura de soja livre e aproveitar este nicho de mercado, nesta quinta (24) ocorreu o lançamento do Programa Soja Livre Safra 2016/17.

“Queremos trazer informações para o produtor rural sobre este nicho de mercado, que remunera de maneira diferenciada a soja livre e, por consequência, não o deixa refém de uma única tecnologia ou empresa”, afirma Endrigo Dalcin, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja).

O diretor técnico da associação, Nery Ribas, ressalta que a soja livre “entra muito bem no manejo de plantas daninhas resistentes, pois a alternância de modos de ação dos herbicidas auxilia na eliminação”.

Europa e Japão são consumidores de soja livre e a China começa a aumentar seu interesse por este tipo de produto. “Toda soja usada para consumo humano na China é não transgênica e isso significa um volume alto”, explica o diretor executivo da trading chinesa Hopefull, Lin Tan, que palestrou sobre o mercado internacional da soja livre.

A dificuldade, segundo o diretor, é a exigência do governo chinês para importar a soja livre que choca com a legislação brasileira. “O governo da China requer que a soja convencional seja 100% pura e o Brasil permite um nível mínimo de contaminação com soja transgênica. É preciso uma conversa entre governos para sanar isso”, afirma Lin Tan.

Para Davi Eduardo Depiné, diretor de originação da Caramuru Alimentos, o mercado passou por transformações nos últimos dois anos. “Houve uma interrupção importante quando os alemães se afastaram do mercado de soja convencional, que depois foi retomado a pedido dos consumidores daquele país. Além disso, há uma demanda para a criação de animais. E, na linha contrária, a produção de materiais convencionais foi diminuindo”, explica.

Os grandes produtores de soja do mundo, Estados Unidos e Argentina, não produzem soja convencional. “As tradings estão vindo buscar no Brasil este tipo de soja e, por fim, chegam a Mato Grosso, que é o Estado destaque na produção de soja livre”, afirma Depiné.

A soja não transgênica também tem alta tecnologia, como resistência a nematóides e doenças, explica Alexandre Cattelan, chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Soja. “É importante frisar que a soja convencional não tem menor potencial produtivo que a soja transgênica. O problema é que muitas empresas deixaram de produzir variedades convencionais, o que dificulta para o agricultor. Porém, a Embrapa continua pesquisando e colocando no mercado todos os anos novas variedades com ainda mais tecnologia”, afirma Cattelan.

Parceiros

O Programa Soja Livre foi criado pela Aprosoja e Embrapa e conta com a parceria da Cooperativa de Desenvolvimento Agrícola (Coodeagri), Caramuru, Incopa, BS&A, Amaggi, SoloCampo Representações.


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