30/11/2016 às 20h02min - Atualizada em 30/11/2016 às 20h02min

Em uma de suas últimas entrevistas, Caio Júnior exaltou a confiança no título

Treinador foi uma das vítimas do acidente que aconteceu na Colômbia

ALYSSON CARDINALI
Caio Junior comandou a Chapecoense até a decisão da Sul-Americana Divulgação

Rio - 'Nós estamos no futebol para fazer história. Eu classifico este momento como fantástico’. Foi assim, esbanjando confiança, que Caio Júnior conversou comigo, segunda-feira, via Whatsapp, sobre a façanha de ter levado a Chapecoense à inédita final de Copa Sul-Americana. Nos planos — embora destacasse o respeito pela forte equipe do Atlético Nacional, da Colômbia —, dar à apaixonada torcida o primeiro título internacional do clube catarinense.

Quis o destino, porém, que tal conquista, pelo menos dentro de campo, não viesse. Aliás, maldito destino, que, em meus 21 anos no jornalismo, me colocou frente a frente com a maior tragédia do futebol brasileiro. E levou um treinador em seu momento mais brilhante, além de um grupo de jogadores que vivia o sonho da consagração com a camisa da Chapecoense.

O principal personagem da minha pauta, um homem culto e educado, um estudioso do futebol, não está mais entre nós. E não poderá transmitir tudo o que sabia de bola, tudo o que sabia da vida. Triste, muito triste relatar como foi uma das últimas entrevistas de Caio Júnior.

Atencioso, mesmo diante das minhas duas dezenas de perguntas e do pouco tempo que tinha para respondê-las, mandou um recado, através de seu assessor de imprensa, Adriano Rattmann: responderia às outras dez após o desembarque, em Medellín.

PAIXÃO À FLOR DA PELE

Não o fez. Mas não porque não quisesse. Ele nos deixou sem saber, por exemplo, como analisava sua passagem pelo Botafogo (em 2011) ou como via o sucesso da seleção brasileira, agora sob a direção de Tite. Não falou sobre os tempos de jogador. Mostrou, porém, imensa paixão pelo que fazia da vida e da gigantesca vontade de conquistar a Copa Sul-Americana.

“Espero um jogo muito duro. Talvez o mais difícil de todos, até agora, pela qualidade individual e coletiva do adversário. Eles são muito fortes. Não à toa são os atuais campeões da Libertadores”, observou, em relação ao Atlético Nacional, e ao primeiro jogo da final, no Estádio Atanasio Girardot, em Medellín.

Também não escondeu a insatisfação por ter de fazer a segunda partida, que definiria o campeão, longe da Arena Condá — por questões de segurança, o jogo seria no Couto Pereira. “Jogar no nosso estádio, com o apoio da torcida, seria a grande vantagem. Seria justo”, frisou o paranaense de Cascavel, sem reclamar do fato de ter de lutar pela taça em Curitiba: “O Couto Pereira é a melhor opção. Estou confiante e sinto que teremos um apoio grande em Curitiba.” Maldito destino.


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