26/06/2019 às 10h57min - Atualizada em 26/06/2019 às 10h57min

‘Vamos soltar áudio’ e você vai se arrepender de pedir, diz jornalista do Intercept à deputada do PSL

Deputada desafiou o jornalista a tocar áudios de diálogos entre Moro e procuradores. "Vamos soltar quando estiverem prontos", ele disse

REDAÇÃO
Reprodução
"Vamos soltar áudio quando o material estiver publicado e você vai se arrepender muito de pedir". A resposta foi dada pelo jornalista do site The Intercept Brasil, Glenn Greenwald, à deputada Carla Zambelli (PSL-SP) durante audiência na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, nessa terça-feira (25). Greenwald foi questionado durante seis horas por 40 deputados sobre o vazamento das conversas do ex-juiz Sergio Moro e procuradores da Lava Jato.
Falando em nome da liderança do governo, a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), afirmou que os documentos vazados eram resultado de crime de hackeamento e, ao mesmo tempo, que as conversas não eram autênticas:"Querem criar um caso em torno de algo que não existe. Querem dizer que o Sergio Moro cometeu um crime, porque eu recebi de uma fonte anônima. Quer dizer, tudo pode, só não pode pegar o fato real, os áudios e periciar as provas”, criticou.
Greenwald confirmou que houve conluio entre Moro, atual ministro da Justiça, e os procuradores da República que compõem a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, para fraudar a democracia e agir com parcialidade, ferindo mortalmente o judiciário brasileiro nas decisões proferidas nos processos julgados na operação. Um dos principais prejudicados, segundo o jornalista, teria sido o ex-presidente Lula.
Glenn fez a defesa da liberdade de imprensa e da transparência, reafirmou a autenticidade das conversas vazadas entre o ex-juiz e procuradores da Lava Jato, no aplicativo Telegram, que estão sendo publicadas pelo site The Intercept Brasil, desde 9 de junho.
O jornalista ressaltou que ainda que está enfrentando as pessoas mais poderosas do país, o que resultou em ameaças contra a sua vida e a de sua família. Ele disse ainda que continuará o trabalho de divulgação do “lado obscuro da Lava Jato”.
"A Constituição protege e garante a liberdade de imprensa contra os ataques que Sergio Moro e o partido do governo estão tentando fazer. Ninguém tem medo do seu partido [PSL]. Nossa redação, os jornalistas brasileiros que estão agora trabalhando com essa reportagem para continuarmos publicando esses documentos até o final. Nem seu partido, nem o governo do Bolsonaro, nem Sérgio Moro podem fazer nada para impedir isso".
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