29/12/2016 às 16h10min - Atualizada em 29/12/2016 às 16h10min

Ex-secretário admite que Malouf montou esquema para recuperar "investimento"

Permínio Pinto evitou comentar sobre existência de esquemas em outras pastas

Folha Max
Carlos Dorileo
Reprodução

O ex-secretário da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Permínio Pinto confessou em seu depoimento a juíza Selma Arruda na 7ª Vara Criminal de Cuiabá, prestado no último dia 15 de dezembro, ter sido omisso em relação as fraudes que aconteceram na pasta durante o período em que esteve a frente da pasta. Ele confirma que as fraudes foram articuladas na indicação de seu nome ao cargo, feita pelo empresário Alan Malouf, que chegou a ser detido pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado), no dia 14, mas foi solto em 24 de dezembro.

Em um dos trechos, o ex-secretário deixa claro que teve um encontro com Malouf em um buffet de sua propriedade, quando foi informado que seria o secretário de Educação. Na mesma ocasião, teria sido feita a oferta para que Permínio atuasse na captação ilícita de recursos para Malouf.

“Eu sabia que ele tinha atuado como coordenador financeiro naquelas eleições e que tinha investido montante significativo e queria, além de procurar espaço para que ele próprio prestasse serviços, eu ia procurar empresários que pudessem dividir o lucro deles para ele poder ser ressarcido”, declarou.

Na sequência, a juíza Selma questiona se Permínio comunicou sobre a fraude ao governador Pedro Taques (PSDB) e ele responde que o seu maior erro foi dar as costas para o que estava acontecendo na pasta que presidia. “Eu permiti que eles fizessem. Eu fui omisso, porque tratei direto com ele”, assinalou.

A magistrada ainda questionou se Permínio tinha conhecimento de fraudes articuladas por Alan Malouf em outras secretarias. “Me perdoe, doutora, eu não quero envolver ninguém. Eu não tenho essas informações precisas, eu sei dizer o que aconteceu na Seduc, da forma que aconteceu”.

Permínio Pinto foi preso no dia 20 de julho na segunda fase da “Operação Rêmora”, denominada Locus Delicti, que apurou irregularidades em pelo menos 23 obras de reformas e construções de escolas que totalizam mais de R$ 56 milhões. Após confessar as fraudes, ele obteve o direito da prisão domiciliar.

O ex-secretário prestará novo depoimento a magistrada, onde deve informar o montante em que foi beneficiado e se comprometer em ressarcir o erário.

O esquema consistia no recolhimento de propinas de empresários para poder liberar o pagamento de medições para as obras. Além do ex-secretário, também respondem criminalmente Fábio Frigeri, Wander Luiz dos Reis, Moises da Silva, Giovani Guizardi, Luiz Fernando da Costa Rondon e Juliano Jorge Haddad. 


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