29/12/2016 às 16h13min - Atualizada em 29/12/2016 às 16h13min

Juíza Selma: ainda não há provas contra Taques por caixa 2

Magistrada afirmou, em programa de TV, que no processo existe apenas o depoimento de empresário

MÍDIA NEWS
AIRTON MARQUES
A juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, que comentou depoimento de investigado (Marcus Mesquita/MidiaNews)

A juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, afirmou que ainda não há provas documentais que atestam a existência de caixa 2 na campanha do governador Pedro Taques (PSDB) em 2004.

A suspeita da irregularidade foi citada pelo empresário Alan Malouf, sócio do Buffet Leila Malouf, em depoimento ao Gaeco, após ser preso na 3ª fase da Operação Rêmora.

No dia 16 de dezembro, ele confessou participação no esquema de cobrança de propina de empresários que tinham contratos com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc).

“Até agora o que se tem é apenas o depoimento dele. Provas documentais no processo não há nenhuma”, afirmou nesta quinta-feira (29), em entrevista ao programa “SBT Comunidade”, da TV Rondon, em Cuiabá.

Em seu depoimento, Alan declarou que ajudou o governador Pedro Taques (PSDB) a pagar por débitos não declarados de sua campanha eleitoral, em 2014. 

Aos promotores de Justiça, o empresário disse: “Ao final da campanha, houve um débito de campanha não declarado, sendo que Pedro Taques me pediu apoio para o pagamento desse débito. Ajudei nessa composição, mas não me recordo, por hora, do montante”. 

Além de Alan, o delator da operação, o empresário Giovani Guizardi, dono da Dínamo Construtora, também citou Taques, declarando que as fraudes em licitações da secretaria teriam o intuito de recuperar o "investimento" de R$ 10 milhões feito por Alan, na campanha de Taques.

Citação de presidente da AL

Quanto à acusação envolvendo o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Guilherme Maluf (PSDB), a magistrada ressaltou que o caso deve ser tratado pelo Tribunal de Justiça, já que envolve pessoa com prerrogativa de foro.

“Isso tramita no Tribunal de Justiça. Se ele [Alan Malouf] apresentou provas referentes a essa pessoa, elas devem ser encaminhadas ao Tribunal e não ao processo sob minha responsabilidade”, explicou.

De acordo com Alan, em determinada época no ano de 2015, a pedido de Guizardi, ele entregou R$ 40 mil ao deputado.

Segundo Alan - que é primo do presidente da Assembleia -, Guizardi teria dito que o dinheiro seria a parte do “Guilherme” no esquema, já que o parlamentar “tinha o real poder político dentro da Seduc”. 

“Que em determinada oportunidade, pelo fato de Giovani Guizardi ter um compromisso, que não sabe qual é, o mesmo (Giovani) pediu que entregasse o envelope contendo R$ 40 mil para Guilherme Maluf, oportunidade em que Giovani disse que era parte do Guilherme no esquema da Seduc, visto que as indicações dos servidores Moisés [Dias] e Wander [dos Reis] da Seduc, os quais participavam do esquema (seria indicação de Guilherme) e que sem a anuência dos mesmos, não seria possível a concretização do esquema”, diz trecho do depoimento.

O próprio delator afirmou que Maluf também se beneficiou com as propinas arrecadas na Seduc.

Guizardi, que por sua vez, revelou que o deputado ficava com 25% da propina arrecadada com as fraudes na Seduc. 

Segundo ele, a propina era fixada em 5% sobre os valores que seriam recebidos pelas empresas que tinham contratos com a Pasta. 

Deste montante, além dos 25% de Guilherme Maluf, segundo o delator, outros 25% eram destinados para o então secretário de Educação, Permínio Pinto (PSDB); 25% para o empresário Alan Malouf; 5% para o ex-servidor da Seduc, Fábio Frigeri; 5% para o também ex-servidor Wander Luis dos Reis e 10% restantes ficavam para ele.

Veja a entrevista da juíza Selma Arruda:


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