01/02/2017 às 21h08min - Atualizada em 01/02/2017 às 21h08min

Senador de MT é "massacrado" e perde eleição para presidente do Congresso

Representante do Estado foi derrotado pelo senador Eunício Oliveira (PMDB-CE)

Folha Max
VINÍCIUS LEMOS
Apesar de ganhar "destaque nacional", o senador mato-grossense José Medeiros (PSD) obteve somente 10 votos na disputa à presidência do Senado Federal, nesta quarta-feira (1º). Medeiros perdeu a disputa para o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), eleito com 61 votos. Outros 10 senadores votaram em branco ou nulo.

A sessão que elegeu o novo presidente do Senado, que ocupará o cargo no biênio de 2017 a 2018, contou com a participação de todos os 81 senadores do País. Os votos eram secretos e foram dados por meio de urna eletrônica.

Durante a cerimônia que antecedeu a votação, a candidatura do mato-grossense foi apresentada no Plenário pelo senador Magno Malta (PR-ES), que garantiu que Medeiros estava realizando um bom trabalho no Senado, apesar de ter ocupado o cargo há pouco tempo. Malta destacou que Medeiros foi importante para consolidar o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Em seguida, Medeiros subiu na Tribuna para defender sua eleição como presidente da Casa. O mato-grossense, que assumiu a vaga deixada pelo governador Pedro Taques (PSDB), em 2015, mencionou o curto período que está no cargo, porém destacou que possuía capacidade para tornar-se presidente do Senado.

“Sou novato, estou chegando na Casa, mas fico imaginando quantas decisões difíceis os senadores Pimentel, Moka e o Cristóvam tiveram que tomar aqui, e tantos outros que me antecedem há muitos anos nesta Casa”, disse durante o discurso.

Medeiros ainda ressaltou a importância do cargo de presidente do Senado para os próximos anos. “A escolha do ocupante de um cargo com funções tão grandiosas e decisivas, como o de Presidente do Senado Federal, corresponde ao momento mais relevante desta Casa pelos próximos dois anos. O momento de se escolher rumos, de se apontar caminhos e direções, seja eu o escolhido ou o senador Eunício. Todos nós teremos que apontar rumos”, declarou.

Em seu discurso, o senador ainda mencionou que o Senado deve adotar medidas para melhorar o cenário político do Brasil. “Às vezes analisamos o cenário e dizemos ‘temos um País cuja política virou discussão do ódio’, mas até aqui nós temos a responsabilidade também nesse cenário, como nos expressamos e como vendemos o futuro à população brasileira”.

Entre os principais atos que teria em sua gestão, Medeiros citou a criação de novos empregos no País. “Nossa atenção precisa estar centralmente voltada a esse direito básico de todo ser humano, e não cabe aqui dizer quem foi culpado por termos esse tanto de brasileiros desempregados. Cabe aqui, a todos, unirmo-nos, para buscarmos propiciar a oportunidade a todos os brasileiros de terem pleno emprego, de terem a oportunidade de trabalhar, prover as condições dignas as suas famílias”, afirmou.

O senador ainda fez questão de negar que sua candidatura pudesse ser uma afronta ao rival. “Preciso dizer que minha campanha não é uma tentativa raivosa. Como disse no primeiro telefonema que fiz ao senador Eunício, essa campanha não seria uma luta de MMA, muito menos uma forma de minar esse ou aquele colega”, justificou.

Entre as propostas apresentadas pelo mato-grossense estavam questões como a democratização das relatorias dos projetos, reforma no Regimento Interno e aprimoramento no setor administrativo do Senado, para abaixar os gastos da Casa. "Busquei captar essas ideias tanto no contato direto com a população quanto do diálogo próximo com os demais senadores”, explicou Medeiros.

Depois do discurso de Medeiros, a Tribuna foi ocupada pelo adversário, o senador Eunício Oliveira, que também mencionou suas propostas e pediu votos aos demais senadores.

O "AZARÃO"
Medeiros era apontado como “azarão”, por não possuir muito apoio e por estar disputando com Eunício, líder do PMDB, partido com maior bancada da Casa. Apesar disso, ele estava confiante na possibilidade de ser escolhido o novo presidente do Senado.

Na manhã de terça-feira (31), o mato-grossense havia garantido que tinha conquistado uma média de 31 votos declarados. Apesar de não ser quantidade suficiente para ser eleito, ele ainda se mostrava esperançoso e acreditava que em menos de 24 horas poderia conseguir angariar mais votos e vencer a disputa.

"É possível conseguir até 20 votos, tudo depende das circunstâncias. Os senadores estão chegando aqui em Brasília, vamos conversar com todos, e esperamos, na quarta-feira, podermos levar essa vitória para Mato Grosso”, relatou o mato-grossense, pouco mais de 24 horas antes da eleição.
Apesar de cogitar a possibilidade de não vencer a disputa, Medeiros havia comemorado a projeção que sua candidatura traria para o Estado. “Não é somente o Medeiros que está em evidência, é todo o Mato Grosso, o Pantanal, a Chapada e outras áreas do Estado”, disse o mato-grossense, um dia antes de perder a disputa.
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