27/01/2021 às 09h27min - Atualizada em 27/01/2021 às 09h27min

Ex-secretário usa propina de empresário para comprar gado em MT

Nadaf pegou cheques de Chico Lima e repassou a César Zílio

WELINGTON SABINO
Folha Max
Reprodução

Declarações dos delatores e ex-secretários de Estado, Pedro Jamil Nadaf (Indústria, Comércio e Mineração) e César Roberto Zílio (Administração) ao Ministério Público Estadual (MPE) confirmaram que R$ 275 mil oriundo de uma propina paga pelo empresário José Mura Júnior, dono da Geosolo Engenharia, Planejamento e Consultoria, foram utilizados para comprar gado. Tais valores foram repassados por Nadaf para pagar os animais que ele comprou de Zílio. 

Esses detalhes fazem parte da nova denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra 6 pessoas envolvendo o pagamento de R$ 900 mil em propina que o empreiteiro fez ao ex-procurador-geral do Estado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o Chico Lima. Consta na peça acusatória protocolada junto à 7ª Vara Criminal de Cuiabá na última quarta-feira (20), que Chico Lima, na condição de chefe da Procuradoria-Geral do Estado condicionou a autorização do pagamento de uma dívida de 1,8 milhão à Geosolo Engenharia, ao recebimento de 50% do valor. 

A dívida do Estado com a empreiteira era relativa a obras conduzidas pela Secretária de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT), sob o comando do então secretário Arnaldo Alves. O próprio empresário José Mura Júnior revelou aos promotores de Justiça que em 2013 se reuniu com Arnaldo Alves para cobrar a quantia de R$ 1,8 milhão que a Sinfra devia à Geosolo Engenharia e foi aconselhado a procurar um escritório de advocacia nas proximidades da clínica Femina com a placa FMC, o qual poderia auxiliá-lo no recebimento do valor.

A partir de então, entrou em cena o empresário e delator Filinto Müller, que cedeu sua empresa SF Assessoria e Organização de Eventos, para receber os R$ 900 mil destinados ao procurador Chico Lima e pulverizar o dinheiro em outras contas para dar ares de legalidade, ou seja, para lavar o dinheiro de origem ilegal. Apesar disso, não houve prejuízo aos cofres do Estado, pois a propina saiu do valor que o Estado pagou à empreiteira por serviços que já tinham sido executados. 

Chico Lima, Pedro Nadaf e César Zílio foram denunciados na ação penal, enquanto o delator Filinto Müller recebeu os benefícios do Ministério Público. Sobre os R$ 275 mil, foi o próprio César Zílio que revelou ter recebido das mãos de Pedro Nadaf por meio de vários cheques destinados a familiares de Zílio. “Tal fato, segundo os promotores que assinam a denúncia,  foi confirmado por Pedro Nadaf, em seu interrogatório, quando disse que usou tais cheques para adquirir gado de César Zílio. Nadaf afirmou ainda que havia recebido tais cheques do procurador Chico Lima. Na versão do MPE, o então procurador-geral do Estado repassou os valores a Nadaf como forma de contemplar todos os integrantes da organização criminosa que era chefiada por Silval Barbosa", cita. 

Consta na denúncia que o ex-secretário Pedro Nadaf se manifestou da seguinte forma: “Que quanto aos cheques constantes no Relatório, que segundo César Zílio teriam sido repassados pelo interrogando a ele devido a compra de gado que o interrogado realizava com César Zílio, confirma que realmente comprava gado de César Zílio com certa regularidade e que para tanto se utilizava de valores ilícitos também; que provavelmente os cheques que o interrogando usou para compra de gado de César Zílio no ano de 2013 foram recebidos pelo interrogado de Chico Lima”.

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