02/03/2021 às 09h33min - Atualizada em 02/03/2021 às 09h33min

Mendes se reúne a governadores para compra conjunta de vacina russa

Caso algum governador consiga efetivar a transação, o Ministério da Saúde há avisou que irá requisitar as doses e distribuir a todos os estados por meio do PNI

REDAÇÃO
Mayke Toscano

O governador Mauro Mendes (DEM) participa de uma reunião em Brasília, na terça-feira (2), para negociar a compra da vacina russa Sputnik. Gestores de todo o país participarão do encontro com representante do laboratório União Química e o embaixador da Rússia para tentar adquirir o imunizante. Em entrevista na manhã desta segunda-feira (1), o democrata afirmou que conseguiu garantir vacina apenas para setembro, o que é um prazo muito longo. “Quero agora, para o mês de março, de abril, não adianta lá em setembro, é muito longe”.

Em um primeiro momento, Mendes quer comprar 1,5 milhão de doses e já tem o dinheiro para isso. Contudo, os laboratórios não vendem as vacinas diretamente aos Estados. A negociação é feita com o Ministério da Saúde que as repassa aos governos por meio do Plano Nacional de Imunização (PNI). Além de Mato Grosso, outros 22 Estados demonstraram interesse na aquisição e têm recursos para a compra.

“Tem gente falando de querer comprar vacina, mas nem dinheiro para isso tem. É à vista, é ‘cash’. Mato Grosso já disse que, se encontrar, nós vamos comprar. Temos dinheiro, o problema é encontrar quem queira vender. Estamos tentando, tenho reunião na União Química. Eu e mais 15 a 20 governadores estamos querendo fechar um grande pacote com a Sputnik”, explicou o democrata.

Desde que foi anunciada a liberação para uso das vacinas contra Covid-19 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em janeiro, o governador informou que vem tratando com laboratórios para a aquisição das doses, mas as negociações esbarram na comercialização direta com o governo Federal.

Caso algum governador consiga efetivar a transação, o Ministério da Saúde há avisou que irá requisitar as doses e distribuir a todos os estados por meio do PNI. Mendes pontuou que o Ministério tem direito de recolher os imunizantes. Se isso ocorrer, o governo Federal irá reembolsar o Estado que pagou pelo produto. Devido a essa possibilidade, os governadores montaram o consórcio para a aquisição conjunta do imunizante.

“Vinte e dois estados confirmaram que tinham condições de comprar, dinheiro, antecipar e o MS até disse que se comprar devolve o dinheiro, mas pegaria a vacina. Estamos correndo atrás para encontrar alguém que queira vender dentro dessa corrida mundial que está tendo para encontra a vacina”, esclareceu o governador.

As vacinas que os gestores tentam comprar serão somadas ao que o governo Federal adquirir para imunizar a população. Seria um complemento para que o povo seja vacinado mais rapidamente, visto que o Brasil é um dos mais atrasados na imunização dos habitantes entre os países do mundo.

Mendes pontuou que não dá para negar essa demora, mas prefere não se ater a apontar culpados, uma vez que o PNI é de responsabilidade do governo Federal e tem registrado diversos equívocos na aquisição e distribuição das doses.

“Existe uma dura realidade que no Brasil houve uma demora. Isso é fato e não tem como negar. Eu não quero aqui ficar jogando politicamente, julgando A ou B, o que eu posso fazer estou tentando fazer, comprar vacina, falo com Deus e todo mundo. Até agora eu e ninguém conseguiu êxito de comprar vacina, a não ser o governo federal”, declarou.

Mato Grosso passa por uma forte segunda onda de contágio, iniciada em dezembro. Já são 250.889 casos registrados desde março do ano passado e 5.806 vidas perdidas para a Covid. Os leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) já estão 88% ocupados.


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