26/04/2021 às 09h41min - Atualizada em 26/04/2021 às 09h41min

Reajuste de energia poderia ter chegado a 25% em MT, revela Fiemt

Cálculo inicial da Aneel indicava esse percentual, em decorrência dos efeitos negativos da pandemia na economia

MARIANNA PERES
Reprodução

O aumento de 7,29% sobre o consumo de energia elétrica na classe residencial, em Mato Grosso, está em vigor e vai pesar sobre o orçamento dos mais de 1,5 milhão de consumidores da Energisa, concessionária local de energia.

Mesmo com um percentual de reajuste bem acima da inflação oficial do País em 2020 - 4,52% -, a alta, poderia ter sido muito mais elevada, como destaca o presidente da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Gustavo Oliveira.

“Não fosse a mobilização do setor, que chegou a adiar a data de vigência do novo valor, o reajuste poderia ter sido de 25%”, disse.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgou, na última quinta-feira (22), o índice de reajuste tarifário da Energisa Mato Grosso.

Para clientes atendidos em alta tensão (caso das indústrias), o ajuste é de 10,36%.

“A data original para o reajuste seria 8 de abril, porém o cálculo inicial da Aneel indicava percentuais bem mais altos, na casa de 25%, em decorrência dos efeitos negativos da pandemia de Covid-19 na economia brasileira”, explicou Oliveira.

Para evitar esse impacto, o setor elétrico brasileiro se mobilizou, sob liderança da Aneel e do Ministério de Minas e Energia, envolvendo diversas entidades, como Itaipu Binacional, Associação das Distribuidoras (Abradee), Associação das Transmissoras (Abrate) e, principalmente, as concessionárias.

A mobilização incluiu a emissão do Decreto nº 10.665 pelo presidente da República.

Oliveira reconheceu o esforço feito pelo setor para amenizar o reajuste, mas observou que o aumento ainda assim será significativo.

“É mais uma grande pressão sobre os custos das indústrias, que, claramente, vão precisar de outras estratégias para redução do impacto, investindo em eficiência energética e buscando custos de aquisição menores, com energia fotovoltaica ou mesmo via mercado livre”, disse.

“A Fiemt está à disposição das indústrias para orientar e apoiar essas iniciativas”, observou.

Diversos fatores influenciaram a alta no custo da energia: os 17,8% de alta do dólar, que afetam diretamente a tarifa da energia gerada por Itaipu, o uso mais intenso de termelétricas, a suspensão da cobrança das bandeiras durante seis meses em 2020, a alta de 31% no IGP-M e o aumento nas tarifas de transmissão.

Como destacado pela Aneel, entre as principais providências para a redução do reajuste deste ano em Mato Grosso, está a renegociação do prazo para pagamento de contratos de transmissão de energia relativos a créditos decorrentes da reforma do segmento em 2013.

Também foram utilizados créditos provenientes de negociações com Itaipu Binacional.

Além disso, a Energisa Mato Grosso ofereceu, de forma voluntária, diferimento de parcela do reajuste.

De acordo com a empresa, a medida preserva os contratos e demostra o compromisso do setor elétrico com a população diante da situação de grande pressão de custos no Brasil. (Com informações do Diário de Cuiabá)


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