26/04/2021 às 10h08min - Atualizada em 26/04/2021 às 10h08min

Covid-19 reduz em quase 3 anos expectativa de vida do mato-grossense

A esperança de vida é um importante indicador de qualidade de vida e um dos componentes no cálculo do IDH

JOANICE DE DEUS
Pelo levantamento, a esperança de vida do mato-grossense cairá de 75,17 para 72,27 anos (Gustavo Duarte)

A pandemia do novo coronavírus reduziu a expectativa de vida ao nascer do mato-grossense em 2,9 anos.

É o que aponta um estudo feito por uma equipe de pesquisadores liderados pela demógrafa brasileira Márcio Castro, professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade Harvard, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A pesquisa “Redução na expectativa de vida no Brasil em 2020 após a Covid-19”, publicada em versão preliminar, sem revisão de outros especialistas da área, observou o impacto da pandemia na expectativa de vida no nascimento e aos 65 anos, já que idosos são as maiores vítimas da doença.

Pelo levantamento, a esperança de vida do mato-grossense cairá de 75,17 para 72,27 anos.

No País, a redução será de 1,94 ano, saindo de 76.74 anos para 74.80.

Com isso, a esperança de longevidade dos brasileiros retornou ao patamar de 2013 e, dos ganhos registrados nas últimas duas décadas, mais de um quarto se perdeu no primeiro ano da pandemia.

“O número de mortos por Covid-19 no Brasil, em 2020, foi catastrófico.

Nos estados, os ganhos de longevidade alcançados ao longo de anos ou mesmo décadas foram revertidos pela pandemia”, frisam os cientistas.

A expectativa de vida, ou seja, a estimativa de quantos anos uma determinada população nascida em um dado ano deve viver, é um importante indicador de qualidade de vida e um dos componentes no cálculo do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das nações.

O estudo não incluiu ainda os dados da epidemia de 2021.

E a tendência, de acordo com os pesquisadores, não é de melhora porque a vacinação avança a passos lentos no país - nem 12% da população recebeu ao menos uma dose de imunizante - e as medidas de saúde pública que poderiam conter a transmissão do vírus - como o uso de máscaras e o distanciamento social - não têm sido adotadas de forma consistente ao redor do Brasil.

Pelo trabalho, publicado no site Medrxiv, a redução na expectativa do brasileiro pode passar de três anos em cinco unidades da Federação.

A maior delas, é verificada no Distrito Federal que, apesar de ter a maior renda per capita do país, perdeu 3,68 anos. Após, vem o Amapá (3,62 anos), Roraima (3,43 anos) e Amazonas (3,28 anos). No vizinho Mato Grosso do Sul, a redução é de 1,85 ano e, em Goiás de 1,97 ano.

Em nível nacional, a queda na expectativa de vida foi registrada de forma mais acentuada entre os homens (1,98 ano) do que entre mulheres (1,82 ano).

O resultado aumentou em 2,3% e 5,4% a lacuna entre homens e mulheres na expectativa de vida ao nascer e aos 65 anos, respectivamente.

Em Mato Grosso, o declínio é maior ainda entre as pessoas do sexo feminino (2,61 anos) e também entre o público masculino (3,06 anos).

Segundo o estudo, a ação do Governo Federal na pandemia contribuiu para o cenário: “A falta de uma resposta coordenada, rápida e equitativa informada pela ciência, bem como a promoção de desinformação, têm sido a marca registrada da atual administração”. (Com informações do Diário de Cuibá)


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