03/05/2021 às 10h33min - Atualizada em 03/05/2021 às 10h33min

PF: engenheiro de MT integra quadrilha de tráfico de mulheres

Renan Araújo Gomes e o irmão são acusados de subsidiar quadrilha de exploração sexual de mulheres

CÍNTIA BORGES
Mídia News
A Polícia Federal de SP, que deflagrou operação "Harem BR" (MidiaNews)

A Polícia Federal acusa o engenheiro civil Renan Araújo Gomes, morador de Rondonópolis (a 212 km de Cuiabá), de integrar uma organização criminosa que aliciou mulheres para exploração sexual na Austrália.

 

Renan, segundo as investigações da PF, foi o responsável por falsificar documentos para facilitar a entrada das garotas de programa no país da Oceania e “aparentemente” auxiliava a quadrilha a promover a exploração sexual.

 

Ele foi alvo da Operação Harem BR deflagrada no último dia 27 de abril. Renan foi preso e teve sua casa em Rondonópolis vasculhada. Lá, foram apreendidos computador, tablet, celular, caderno de anotações e outros objetos.

 

“[Renan], segundo consta, seria o responsável pela falsificação de documentos, a fim de que as garotas de programas tenham condições de entrarem na Austrália, além de auxiliar seu irmão, [Rodrigo Gomes], na execução dos atos de exploração sexual”, diz um despacho do desembargador Paulo Fontes, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, citando trechos da investigação.
 

Conforme apurou a reportagem, ele foi encaminhado para o presídio da Mata Grande, em Rondonópolis, mas no dia 30 de abril teve habeas corpus concedido e a prisão preventiva foi revogada pelo desembargador federal.

 

Documentos falsificados

 

De acordo com a investigação da Polícia Federal, o irmão de Renan, Rodrigo Gomes, gerenciava a atividade na Austrália, onde mora.

 

“O esquema, na Austrália, contava com a participação de Rodrigo Otávio Cotait e os irmãos Rodrigo César Araújo Gomes (residente na Austrália, conhecido por "Lucas") e Renan Araújo Gomes ("Thomas")”.

 

“Neste caso, além da suposta exploração sexual, há diversos elementos que apontam para a falsificação de documentos, realizada com o intuito de as garotas conseguirem o visto Australiano”.

 

As meninas eram escolhidas no Brasil pelo principal alvo da operação, o empresário paulista Rodrigo Cotait – também preso pelo Polícia Federal.

 

“[..] Após a garota de programa ser aliciada e escolhida, Rodrigo Cotait, Rodrigo Gomes e Renan Araújo iniciam procedimentos tendentes à falsificação de documentos para embasar pedidos de vistos consulares, apresentados perante a Embaixada da Austrália no Brasil”, diz a PF em documento.

 

“[Rodrigo Gomes] conta, seguramente, com a ajuda do seu irmão, Renan Araujo Gomes, conhecido por ‘Thomas’, e, por conseguinte, o investigado também se vale desta pessoa, para o sucesso do empreendimento criminoso”, diz trecho da investigação da PF paulista.

 

A PF mencionou que pelo menos onze garotas que teriam sido agenciadas pelos três – Rodrigo Cotait, Rodrigo Gomes e Renan.

 

Renan, o irmão e Cotait responderão por tráfico de mulheres para fins de exploração sexual, favorecimento da prostituição e falsidade ideológica.

 

Exploração de mulheres

 

As investigações da Policia Federal foram iniciadas em 2019, em inquérito policial instaurado com base em desdobramento da denominada Operação Nascostos, que desarticulou um grupo de estelionatários que praticava fraudes pela internet, mediante a clonagem de cartões de crédito.

 

Com o avanço das investigações, identificou-se uma rede de agenciadores e aliciadores que atuava na exploração sexual, tanto em território nacional, quanto no exterior. 

 

Segundo a PF, o empresário Rodrigo Cotait era o responsável por aliciar e preparar as gatoras para as viagens em todo mundo. A PF aponta que até menores de idade já foram negociadas por ele.

 

Em matéria veiculada no programa Fantástico, no domingo (2), mostra um áudio em que Cotait confessa que atua com prostituição internacional de mulheres.

 

"Eu exporto mulher para tanto país: Estados Unidos, Oriente Médio, Austrália, Singapura, China, Nova Zelândia, Europa, Bolívia", conta Cotait em um áudio.

 

Até o momento, a investigação apurou que os países para os quais houve viagens para fins de exploração sexual foram Brasil, Paraguai, Bolívia, Estados Unidos, Catar e Austrália.


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