08/07/2021 às 16h26min - Atualizada em 08/07/2021 às 16h26min

Gaeco prende advogado e empresários por esquema de diplomas em Cuiabá; veja lista

Alvos estavam com tornozeleira e teriam descumprido cautelares

WELINGTON SABINO
Folha Max

A 2ª fase da Operação Zircônia deflagrada nesta quinta-feira (8) resultou na prisão do advogado Demilton Péricles Araújo, da professora e empresária Maria Madalena Carniello Delgado e do também empresário Victor Hugo Carniello Delgado. Os três são apontados pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) como integrantes do bloco de liderança da organização criminosa que atuava na emissão de diplomas, históricos escolares e certificados de cursos falsificados sem autorização do Ministério da Educação (MEC).

Também foi intimada para audiência de justificação a investigada Solange Silva Rodrigues Conceição. A tornozeleira eletrônica dela teria apresentado problemas.

O advogado Demilton Péricles é apontado como sócio-proprietário e diretor jurídico das instituições utilizadas na o esquema. Por sua vez, Victor Hugo se apresentava como “reitor” das faculdades enquanto Maria Carniello Delgado também se apresentava como sócia das instituições.

As empresas utilizadas no esquema eram o Centro Universitário Poliensino Ltda ME, IEP Instituto Educacional Polieduca Brasil Ltda ME (Polieduca Brasil), VHER Cursos Educacionais Ltda EPP (MC Educacional).  Os investigados e agora presos preventivamente são acusados pelos crimes de estelionato, falsificação e uso de documentos públicos falsos e embaraço à investigação.

De acordo com o Gaeco, para dar ares de legalidade e enganar estudantes que decidiam fazer algum curso ou especialização oferecida por eles, o grupo criminoso composto por 15 pessoas utilizava indevidamente o nome do Centro Universitário Internacional (Uninter), instituição de ensino com sede em Curitiba (PR). Os mandados de prisão foram decretados pela juíza Ana Cristina da Silva Mendes, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, a mesma magistrada que autorizou buscas e apreensões e também bloqueio de bens contra os investigados, ainda na primeira fase da operação deflagrada no dia 27 de maio deste ano.

Naquela ocasião, foram cumpridas 19 ordens judiciais. Desde o início o Gaeco pediu a prisão dos investigados, mas naquele primeiro momento a magistrada negou e optou por impor medidas cautelares.

Os investigados também foram proibidos de manter contato entre si por qualquer meio e nem podem se ausentar de Cuiabá sem autorização judicial. Ocorre que no decorrer das investigações, o Gaeco voltou a pedir a prisão, pois os investigados mesmo monitorados por tornozeleira estariam tentando atrapalhar as investigações.

De acordo os trabalhos investigativos, a organização criminosa que atuava na emissão de diplomas, históricos escolares e certificados de cursos falsificados sem autorização do Ministério da Educação. Conforme o Gaeco, a organização criminosa era dividida em cinco grupos com a participação direta de 15 pessoas. No topo, estavam os três investigados que agora foram alvos de prisão.

OPERAÇÃO ZIRCÔNIA

De acordo com o Gaeco, tudo começou em junho de 2019 após uma mulher que fez curso em uma das faculdades participantes do esquema ter sido aprovada num concurso em Cuiabá e chamada pela Secretaria Municipal de Educação para que comprovasse a autenticidade do diploma expedido. Em pesquisa realizada ao banco de dados, a Uninter expediu declaração não validando o diploma, pois ela não havia expedido tais documentos.  Depois a Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá contatou novamente a Uninter dizendo que outra instituição, a Faculdade de Administração, Ciências, Educação e Letras (Facel) que emitiu declaração alegando que havia emitiu declaração dizendo que tinha encaminhado à Uninter para expedição do diploma.

A declaração emitida para a mulher foi subscrita por Denilton Péricles Araújo, advogado e diretor Jurídico da Instituição Facel. Consta na investigação que o certificado de conclusão de curso também foi subscrito por Maria do Rosário Zuff, diretora geral da Facel. A Uninter respondeu a solicitação da Secretaria de Educação de Cuiabá ratificando a não autenticidade do diploma, afirmando a ausência de vínculo acadêmico da mulher que fora aprovada no concurso. Esse fato deu início à investigação que resultou nos mandados judiciais e agora na prisão dos “chefões” do esquema.  

 

 
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