27/07/2021 às 10h10min - Atualizada em 27/07/2021 às 10h10min

Tarcísio de Freitas e Mauro Mendes saem em defesa da Ferrogrão

Ferrogrão é pressionada por ambientalista e pelo anúncio da ferrovia estadual em MT

EDUARDO GOMES
Diário de Cuiabá
Ministro Tarcísio de Freitas e o governador Mauro Mendes (Reprodução)

Na última semana o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, e o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, saíram em defesa da construção da Ferrogrão, ferrovia que pretende ligar Mato Grosso ao Pará para exportação sobretudo de soja e milho.

O projeto é um dos mais ambiciosos do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) na área de infraestrutura e está na mira de ambientalistas e lideranças de esquerda. O chamamento público do governo Mato Grosso, na última segunda-feira (19), em busca de investidores para dois ramais ferroviários no estado, também é um movimento que joga pressão sobre a Ferrogrão.        

O primeiro a defender a Ferrogrão foi o ministro Tarcísio de Freitas, que afirmou nesta terça-feira (20) que a obra pode ser sustentável. Para ele, discussões sobe os impactos do empreendimento são uma bobagem e ativistas que se opõem à proposta não conhecem a região nem os estudos.         

“A gente tem que separar o que é ideologia, interesse comercial e o que é de fato visão de proteção ao meio ambiente. Tenho certeza absoluta que nenhum desses ativistas percorreu a BR-163 [usada hoje na região] e conhece com profundidade o projeto”, afirmou em live promovida pelo jornal Valor Econômico.            

"Discutir se é possível fazer uma ferrovia de forma sustentável na Amazônia é uma grande bobagem. É claro que é", disse ele, que afirmou que o governo está tratando a sustentabilidade da proposta com seriedade e com participação de institutos internacionais.        

  Uma delegação internacional de ativistas e políticos de esquerda desembarca no Brasil no dia 15 de agosto para pressionar contra a construção da Ferrogrão.          

A comitiva é ligada à Internacional Progressista, entidade criada no ano passado pelo senador americano Bernie Sanders e pelo ex-ministro das Finanças da Grécia Yanis Varoufakis, e que reúne políticos, ativistas e celebridades de diferentes países.        

  Segundo o economista americano David Adler, coordenador-geral da organização, a delegação ainda está sendo fechada, mas deverá incluir parlamentares de países como Espanha e Alemanha, lideranças indígenas dos EUA, ativistas ambientais e sindicalistas. Também deverá haver representantes de países latino-americanos.              

Na quinta-feira (22), o governador Mauro Mendes também criticou a possível vinda de ativistas e políticos de esquerda ao Brasil para pressionar o Governo Federal a não construir a Ferrogrão.          

  Mendes chegou a dar uma “banana” aos ativistas. “Aqui para eles”, disse seguido do gesto de desaprovação. “Se vier aqui protestar contra a Ferrogrão vai tomar na testa”, garantiu Mendes aos jornalistas.          

  O governador afirmou que o Brasil tem leis ambientais severas e isso deve ser obedecido na construção e implantação da ferrovia.            

“O Brasil tem as leis ambientais mais restritivas do Mundo. Eles [americanos e europeus] têm 10 vezes mais ferrovia do que temos aqui. Vem dizer que nós não podemos fazer ferrovia. O dia que vocês chegarem na metade do que nós temos, voltem para conversar conosco. Senão, volte para seu país, vai plantar árvore por lá e deixa que nós cuidamos do nosso aqui”, disse.          

Mauro Mendes reiterou que a sua gestão irá “lutar” para que o Governo Federal execute os projetos da Ferrogrão e da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico). “Nós vamos lutar sim pela Ferrogrão, vamos lutar pela Fico e tenho certeza que o Governo Federal vai colocar essas duas ferrovias naquilo que lhe compete de ações e providências pra que elas realmente aconteçam”, concluiu.            

Mauro Mendes saiu em defesa da Ferrogrão dois dias após ter feito chamada pública em busca de investidores para dois ramais ferroviários no estado, em um movimento que joga pressão sobre a Ferrogrão.            

Oponente da ferrovia federal, a Rumo Logística já se apresentou como interessada ao projeto mato-grossense, que atende as mesmas regiões de seu projeto Malha Norte, ligando seu terminal de Rondonópolis, no sul do estado, a Cuiabá e Lucas do Rio Verde.          

O projeto do Mato Grosso tem investimentos estimados em R$ 12 bilhões na construção de 730 quilômetros de trilhos. O objetivo é iniciar as operações do primeiro ramal, para Cuiabá, em 2025. O segundo, a Lucas do Rio Verde, começaria a operar em 2028.      

OBRA - A ideia da ferrovia foi lançada há pelo menos sete anos pela iniciativa privada e é de interesse de multinacionais como ADM, Cargill e Amaggi. Elas estudam juntas o projeto, que não saiu do papel até hoje por incertezas em torno do empreendimento e de sua viabilidade.        

  A ferrovia, de cerca de 1.000 km de extensão, ligaria Sinop (MT), um dos polos produtores de soja no Brasil, ao porto de Miritituba (PA).        

Ela correria paralelamente à BR-163, cujo asfaltamento foi recentemente completado pelo governo Bolsonaro, e seria uma alternativa para a exportação de grãos, principalmente para a China e outros países asiáticos.      

A obra é considerada estratégica pelo setor do agronegócio, que diz ser imperativo melhorar a estrutura de escoamento de sua produção para exportação.          

  Um dos argumentos mais utilizados por seus defensores é de que ela ajudaria a desafogar o tráfego da estrada, hoje tomada por caminhões carregados de soja. Seria, portanto, ambientalmente responsável.          

ONGs e representantes do Ministério Público, no entanto, apontam para o dano que a obra causaria a uma vasta região na Amazônia.          

O trajeto corta, por exemplo, a Floresta Nacional do Jamanxim (PA), uma área de preservação ambiental, e pode afetar diversas comunidades indígenas que vivem nos arredores.          

O governo gostaria de licitar a obra ainda neste ano, mas enfrenta questionamentos de órgãos de controle, como o TCU (Tribunal de Contas da União), além de uma ação no STF. O investimento previsto é de R$ 21,5 bilhões, e a ideia é que a ferrovia entre em operação em 2030.       


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