04/08/2021 às 20h59min - Atualizada em 04/08/2021 às 20h59min

Na posse no Ministério, Ciro Nogueira fala em diminuir tensões

Discurso em defesa da moderação ocorre em meio a uma crise entre Bolsonaro e o Judiciário

FOLHAPRESS
O novo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP) - Reprodução

Em meio a uma crise entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o novo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP), tomou posse nesta quarta-feira (4) numa cerimônia em que se comparou a um "amortecedor" e afirmou querer contribuir para "equilibrar" e "diminuir tensões".

 

"Sabemos que a política muitas vezes provoca choques, tremores e abalos", disse Ciro em seu discurso.


"E se me permite a comparação um tanto quanto fora dos protocolos, eu gostaria que toda vez que Vossa Excelência [Bolsonaro] me visse, lembrasse de um amortecedor. Acho que é assim que o povo do meu país -os meus companheiros- espero que me vejam, porque assim eu vou ser útil ao meu país", disse.


Em outro trecho, Ciro disse que o momento atual é de "trepidações". "Quero contribuir tal aquele equipamento que pode estabilizar, diminuir tensões e ajudar para que essa viagem seja mais serena, estável e confortável para todos", disse o novo ministro, que é senador licenciado. "Meu nome é temperança, meu sobrenome tem que ser equilíbrio".


O discurso de Ciro em defesa da moderação ocorre em meio a uma profunda crise entre Bolsonaro e o Judiciário, principalmente o TSE.


Em sua cruzada pelo voto impresso, Bolsonaro tem levantado acusações infundadas e sem comprovação de que pleitos passados foram fraudados. Ele tem apontado que as urnas eletrônicas não são seguras, sem nunca apresentar provas que corroborem a alegação.


Bolsonaro defende um modelo de voto impresso -que ele diz ser "auditável" e "democrático".


Atualmente, tramita no Congresso uma PEC nesse sentido, mas uma articulação de diversos partidos, inclusive de aliados do Planalto, criou uma frente para derrubar a proposta.


Bolsonaro disparou nos últimos dias uma série de falas golpistas. Ele chegou a ameaçar a realização do pleito no ano que vem, caso não haja mudança no atual sistema eletrônico de votação.


"Sem eleições limpas e democráticas, não haverá eleição", disse Bolsonaro no domingo (1º), numa videochamada a manifestantes que estavam em frente ao Congresso Nacional.


O alvo preferencial de Bolsonaro tem sido o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso.


Em reação às ameaças de Bolsonaro, a corte eleitoral tomou, na segunda (2), a ação mais contundente desde que Bolsonaro começou a fazer as ameaças de impedir as eleições em 2022.


O tribunal aprovou, por unanimidade, a abertura de um inquérito e o envio de uma notícia-crime ao Supremo para que o chefe do Executivo seja investigado no inquérito das fake news.


Em seu pronunciamento, Ciro também disse que "não há problema em mudar de opinião" e que isso não é "contradição, desde que seja para melhor". Líder do centrão, Ciro apoiou no passado governos do PT e chegou a se referir a Bolsonaro como "fascista".


"Conte sempre com este amortecedor para o ambiente muitas vezes agitado dos nossos tempos", afirmou o ministro.


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