08/09/2021 às 11h19min - Atualizada em 08/09/2021 às 22h30min

Pandemia gera queda de matrículas de refugiados 

De acordo com os dados coletados pela Acnur em 40 países, taxa bruta de matrícula para jovens refugiados no nível secundário, entre 2019 e 2020, foi de apenas 34%.

SALA DA NOTÍCIA Agência Brasil
https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2021-09/pandemia-gera-queda-de-matriculas-de-refugiados

Os níveis de acesso à educação entre refugiados sofreram queda durante a pandemia de covid-19. A constatação é da Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), que chama a atenção para a necessidade de um esforço internacional a fim de garantir o acesso à educação secundária para crianças e jovens refugiados.



De acordo com os dados coletados pela Acnur em 40 países, a taxa bruta de matrícula para jovens refugiados no nível secundário, entre 2019 e 2020, foi de apenas 34%. Em quase todos os países, a taxa é inferior à das crianças das comunidades de acolhida. O ensino secundário, entre o 6º ano do ensino fundamental até o 3º ano do ensino médio, deve ser um momento de crescimento, desenvolvimento e oportunidades. Segundo a agência, esse período aumenta as perspectivas de emprego, saúde, independência e liderança de jovens em situação de vulnerabilidade e os torna menos suscetíveis a serem inseridos em cenários de trabalho infantil.

É provável, segundo a Acnur, que a pandemia tenha prejudicado ainda mais as oportunidades dos refugiados. Na avaliação da agência da ONU, a covid-19 tem sido prejudicial para todas as crianças, mas para jovens refugiados, que já enfrentam obstáculos significativos de acesso à educação, ela pode destruir todas as esperanças de alcançarem a educação de que precisam.  “O recente progresso feito na matrícula escolar de crianças e jovens refugiados está agora sob ameaça”, afirma o alto comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi. “Enfrentar esse desafio requer um esforço massivo e coordenado, e é uma tarefa da qual não podemos nos esquivar”, acrescenta.

Na avaliação da Acnur, os países que acolhem grande número de refugiados precisam de assistência para ter capacidade de atender a esses jovens: mais escolas, materiais de aprendizagem apropriados, treinamento de professores em disciplinas especializadas, apoio e instalações para meninas adolescentes e investimento em tecnologia e conectividade para acabar com a exclusão digital.

Ensino superior

Quando o foco é nas matrículas do ensino superior, elas foram de 5%, um aumento de 2 pontos percentuais a cada ano. “ Esse ganho representa uma mudança transformadora para milhares de pessoas refugiadas e suas comunidades. É um aumento que também gera esperança e incentivo aos refugiados mais jovens, que enfrentam grandes desafios relacionados ao acesso à educação”, ressalta a Acnur.

Apesar disso, o nível permanece baixo quando comparado aos números globais. Sem um expressivo aumento no acesso ao ensino secundário, a meta “15 em 30” estabelecida pela organização e parceiros – 15% dos refugiados matriculados no ensino superior até 2030 – permanecerá fora de alcance.

Acnur

A Agência da ONU para Refugiados é uma organização dedicada a salvar vidas, assegurar os direitos e construir futuro melhor para as pessoas que foram forçadas a deixar suas casas e comunidades devido a guerras, conflitos armados, perseguições ou graves violações dos direitos humanos. Presente em mais de 130 países, a entidade atua em conjunto com autoridades nacionais e locais, organizações da sociedade civil, academia e o setor privado para que todas as pessoas refugiadas, deslocadas internas e apátridas encontrem segurança e meios para reconstruir sua vida.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »