10/09/2021 às 20h31min - Atualizada em 10/09/2021 às 20h31min

MPE denuncia marido e mais dois pelo assassinato de mulher

Promotoria o acusa de contratar um casal para cometer o crime, ocorrido no final de maio deste ano

REDAÇÃO
Indiana Geraldo Tardett (detalhe) foi assassinada em maio deste ano em Lucas do Rio Verde

O Ministério Público Estadual ofereceu denúncia contra o empresário Cláudio Valadares dos Santos pelo assassinato da esposa Indiana Geraldo Tardett. O crime aconteceu em maio deste ano em Lucas do Rio Verde.

 

Também foram denunciados pelo feminicídio qualificado Márcio Andrade dos Santos e Jucilene Batista Rodrigues, acusados pelo MPE de serem os executores do crime, sob encomenda do marido da vítima.

 

Os três responderão ainda por fraude processual, em razão da acusação de terem alterado a cena do crime para indicar que fosse suicídio.
 

Cláudio e Indiana mantinham união estável desde 2016 e eram sócios em uma empresa no ramo de manutenção de aeronaves, em que ela era responsável pela parte financeira/gerencial e ele pela parte operacional.

 

Conforme a denúncia, nos dias que antecederam o crime, o casal, que já tinha um relacionamento conturbado e marcado por relacionamentos extraconjugais, iniciou processo de separação.

 

O MPE diz que por considerar-se o único proprietário da empresa, Cláudio queria se livrar a "qualquer custo" de sua companheira e, consequentemente, da própria divisão patrimonial equânime.

Assim, diz o MPE, ele entrou em contato com o sacerdote de candomblé Márcio, conhecido como “Pai Baiano”, que conhecia o casal havia alguns anos e prestava auxílio espiritual a eles.

 

O empresário teria confidenciado que o relacionamento estava insustentável, e que não só era preciso “desamarrar a relação”. Mas sim “colocar Indiana no caldeirão do satanás”, narrou o MPE.

 

A denúncia diz que Márcio pediu auxílio a Jucilene, que também trabalhava com rituais de candomblé, para executar o crime. Eles foram até a casa da vítima entre 30 e 31 de maio deste ano, com o pretexto de que a ajudariam a reatar o relacionamento.

“Já no interior do imóvel, os denunciados Márcio e Jucilene, visando ocultar o propósito homicida, iniciaram a dissimulação de um ritual, orientando que a vítima permanecesse de joelhos, em cima de um lençol branco, em um dos quartos da residência, enquanto os dois iniciavam, fraudulentamente, o processo ritualístico”, narra a denúncia.

 

O MPE relatou então que Márcio então desferiu o primeiro golpe na cabeça da vítima, com um facão artesanal de aproximadamente 1,1 kg, deixando-a desacordada para depois golpear a lateral direita do pescoço e próximo ao punho direito, “extravasando intensa crueldade”.

“Em seguida, visando impossibilitar a correta aplicação da lei, notadamente para em um primeiro momento ludibriar os peritos criminais e, consequentemente, o juiz criminal competente para análise do caso, os denunciados Márcio e Jucilene, com a ciência do mandante do delito, modificaram o lugar do crime, cobrindo a vítima com um cobertor branco, além de deixar o facão na mão direita da ofendida, tentando simular a ocorrência de um suicídio para se eximirem de responsabilidade criminal, bem como para que não fosse descortinada a autoria do denunciado Cláudio como sendo – como de fato foi – o mandante intelectual do crime”, conforme narrado na denúncia.


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