19/10/2016 às 11h20min - Atualizada em 19/10/2016 às 11h20min

Polícia indicia gerente por morte de procuradores e apura furto de gado

Funcionário teria matado as vítimas para ocultar furto de gado em MT. Ele foi indiciado por duplo homicídio e confessou ter matado procuradores.

Lislaine dos Anjos
G1 MT
José Bonfim confessou o crime após ser preso no Tocantins (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

A Polícia Civil indiciou José Bonfim Alves Santana, de 42 anos, pelo assassinato de dois procuradores estaduais em uma fazenda emVila Rica, município a 1.276 km de Cuiabá, no dia 9 de setembro. Agora, a polícia abriu um novo inquérito para apurar o crime de furto continuado de gado que teria ocorrido na fazenda e que teria motivado o duplo homicídio

Saint-Clair Martins Souto e Saint-Clair Souto, pai e filho, respectivamente, desapareceram em Vila Rica no dia 9 de setembro. A família registrou queixa do desaparecimento no dia 12 de setembro, após os procuradores não retornarem para Brasília, como esperado.

José Bonfim, que trabalhava como gerente da fazenda de propriedade das vítimas foi preso no dia 13 de setembro, no Tocantins, e confessou ter matado os procurados a tiros. A prisão temporária dele foi convertida em preventiva e José Bonfim deve responder por duplo homicídio qualificado por uso de recurso que impossibilitou a defesa das vítimas, motivo torpe e para ocultar a prática de outros crimes. O G1 não conseguiu localizar a defesa do suspeito.
 

Quando do início das novas investigações sobre o crime de furto de gado, o delegado Gutemberg de Lucena afirmou à reportagem que o gerente da fazenda teria causado um prejuízo de, pelo menos, R$ 1 milhão às vítimas. No entanto, a polícia espera descobrir quantas cabeças de gado realmente foram desviadas da propriedade e qual a destinação.

De acordo com o delegado, a polícia não descarta a participação de outras pessoas no crime de furto, uma vez que vários bens teriam sido adquiridos com o dinheiro conseguido com o desvio do gado.

“Apesar de ter sido o motivo dos homicídios exige uma apuração mais aprofundada sobre a destinação dada ao patrimônio das vítimas. Sabemos que foi desviada grande quantidade de gado e adquiridos bens com o proveito do furto, como veículos, motos aquáticas, lotes e outros e que tais bens foram repassados a terceiros”, afirmou Gutemberg.

O crime
A investigação aponta que as vítimas foram mortas na manhã do dia 9 de setembro dentro da sede da fazenda. Pai e filho foram executados com um revólver calibre 38, sendo que o funcionário matou primeiro o pai.

Saint-Clair Souto (à esquerda) e Saint-Clair Martins Souto (à direita) desapareceram em MT (Foto: Reprodução/Facebook)

Saint-Clair Souto (à esquerda) e Saint-Clair Martins Souto (à direita) desapareceram em MT (Foto: Reprodução/Facebook)

Saint-Clair Souto (à esq.) e Saint-Clair Martins Souto (à dir.) foram mortos em MT (Foto: Reprodução/Facebook)



























Em seguida, José Bonfim chamou o filho para dentro da casa, falando que o pai dele havia sofrido uma queda, momento em que matou a segunda vítima. Depois, o suspeito arrastou os corpos para uma região de mata próxima a fazenda.

Com a quebra do sigilo bancário, a polícia descobriu que a movimentação financeira na conta do suspeito nos últimos meses era bem maior do que salário que ele recebia, de R$ 1,2 mil por mês. Ele foi capturado após fazer um saque em uma agência em Colinas do Tocantins.

Com o suspeito, os policiais apreenderam uma caminhonete, mais de R$ 5 mil e uma arma, que teria sido usada para matar os procuradores. O gerente da fazenda era funcionário da família há oito anos.


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