22/10/2016 às 18h21min - Atualizada em 22/10/2016 às 18h21min

WS chama Emanuel de estagiário; adversário rebate: “arrogante”

Debate na Rádio Centro América foi marcado por ataques entre candidatos a prefeito

Douglas Trielli
Mídia News
Emanuel Pinheiro (PMDB) e Wilson Santos (PSDB) participaram de debate (Reprodução)

Os candidatos a prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (PMDB) e Wilson Santos (PSDB) focaram o segundo debate do segundo turno, ocorrido na manhã deste sábado (22), na rádio Centro América FM, em acusações, bate-boca e pedidos de direito de resposta.

Ambos voltaram a falar sobre o Fundo de Assistência Parlamentar (FAP) do peemedebista, Revisão Geral Anual (RGA) dos servidores e do áudio atribuído a Elias Santos, irmão de Wilson, em que aparece coagindo servidores comissionados a irem a um evento da campanha tucana.

Emanuel abriu o primeiro bloco do debate já falando sobre o episódio e questionando se Wilson acredita que terá o voto do “servidor coagido”.

Wilson respondeu que essa foi a primeira vez, em todas as eleições que ele participou, que isso aconteceu com alguém de sua militância. E disse que durante a campanha de 2010, Silval Barbosa foi denunciado por convocar servidores da Empaer (Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural) para comparecer a reuniões políticas.

“Um erro não justifica o outro, Wilson. Quero me solidarizar com servidores que foram violentados em seu direito. Estamos denunciando há muito tempo a forma intimidatória, ameaçadora da campanha adversária, induzindo servidores a votar no candidato do Governo. Me solidarizo aos servidores que sofreram esse atentado contra democracia. E isso vem sendo patrocinado por outros secretários, mas estamos vigilantes”, disse Emanuel.

“Por isso a história é bonita. Esse cidadão, quando Silval cometeu crime ao usar máquina da Empaer, não abriu a boca e não se indignou. No caso do meu irmão, se indignou. Mas ficou quase quatro anos calado, sabendo que Silval roubou aquela eleição”, rebateu Wilson.

Em seguida, Wilson quis saber de Emanuel quais as características do sistema educacional vigente. Emanuel respondeu que irá cobrir a demanda de 24 mil alunos e resgatar o programa Bom de Bola, Bom de Escola.

O tucano rebateu dizendo que Emanuel não respondeu aos questionamentos. “Cuiabá não pode ser um laboratório para estagiários. O Emanuel entende pouco de Educação. Fiz a ele uma pergunta e ele desviou. Cuiabá tem o sistema ciclado de aprendizagem, que é diferente do seriado. E se eu perguntar a diferença, ele também não vai saber responder, é sempre oba-oba”, disse.

“O Wilson Santos não perde a arrogância e prepotência. Calce as sandálias da humildade, você não tem a solução e os pratos feitos. Você já esteve lá e não fez”, rebateu Emanuel.

RGA e LRF

Outro tema do debate foi o pagamento da RGA dos servidores e a possibilidade de cumprir os limites com folha salarial estabelecidos na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Emanuel foi o primeiro a tocar no assunto e citou que o governador Pedro Taques (PSDB) disse que não pagaria a integralidade da reposição para não atrasar salários, mas, agora, prevê a possibilidade de atrasos na folha. Questionou se o tucano mentiu aos servidores.

Wilson ressaltou a crise econômica que passa o país e que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do teto nos gastos é do presidente Michel Temer, do PMDB, e que congela duodécimos e RGA. Emanuel rebateu e negou que a proposta congele a reposição e ressaltou que o PSDB é um dos partidos que apoiam a mudança nos gastos.

Depois, Wilson questionou Emanuel quais são as condições exigidas na LRF para que o servidor tenha aumento real de salário, o que é diferente da RGA. Emanuel respondeu prometendo pagar a RGA e, dentro da LRF, promover os ganhos reais dos servidores.

“Eu já havia avisado: ele não sabe. Não se preparou para ser prefeito. Perguntei quais as três condições que a LRF exige para discutir aumento real. Cuiabá não vai ser laboratório de inexperiente. Não pode ter gastos acima de 51,3% da receita; tem que reduzir despesas em um montante igual ou superior ao aumento salarial; tem que aumentar a arrecadação igual ou superior ao aumento salarial”, respondeu Wilson.

“Esse estilo decoreba, próprio de professor de cursinho, não cola mais, tanto que você teve que ler para tentar achar o ultimo critério. Vamos ser abertos à população, manter um grande diálogo. A Prefeitura existe para atender a vida das pessoas”, disse Emanuel.

Rodoanel e FAP

Em outro momento, o analista político Alfredo da Mota Menezes questionou Wilson e Emanuel sobre assuntos que rondaram a campanha, no primeiro e segundo turno.

Ao tucano, questionou sobre a existência de um processo pela não conclusão das obras do Rodoanel. Wilson confirmou a existência da ação, mas disse que irá pedir uma perícia em toda a obra.

Já Emanuel respondeu sobre o FAP e disse que o assunto foi trazido por Wilson para tentar atingir sua reputação.

Ressaltou que a mesma tática já havia sido feita contra Alexandre Cesar, na campanha de 2004, e contra Mauro Mendes, em 2008. Disse, ainda, que Dante de Oliveira também contribuiu para receber o fundo, que hoje é recebido pela prefeita eleita de Chapada dos Guimarães, Thelma de Oliveira (PSDB). A resposta rendeu um direito de resposta a Wilson.

Cesta básica

Em outro momento, durante participação de ouvintes, Emanuel foi questionado sobre sua proposta ao saneamento da Capital. Na resposta, disse que o grande problema surgiu em 2009, quando a gestão de Wilson sofreu com a Operação Pacenas, perdendo recursos ao setor. Wilson chegou a pedir direito de resposta, mas não foi concedido.  

Já Wilson foi questionado se Taques irá “virar as costas” para Cuiabá caso Emanuel vença. O tucano apenas disse que, caso ganhe, haverá no Estado uma parceria “Bebeto e Romário”.

Em outra pergunta, um ouvinte questionou a Emanuel qual o valor de uma cesta básica.

“O prefeito que quero ser, que vai mudar figura dos antecessores que decepcionaram, é um prefeito que vai se preocupar com a vida das pessoas. Que sabe os custos de vida da população, mas não sabe todos. Se a cesta básica custa R$ 80 ou R$ 100, não importa, o que importa é a Prefeitura trabalhar para que os bons resultados cheguem às pessoas”, disse.

Em outro bloco do programa, Wilson explorou o assunto e voltou a questionar o valor da cesta básica e citou o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Emanuel falou sobre seu projeto para fortalecer a agricultura familiar.

“O colega deputado não sabe quanto custa uma cesta básica. Custa R$ 418, e, segundo o Dieese, é a sétima cesta mais cara do país. Estou trazendo o programa Prato Cheio. Eu vim da periferia, ajudei a construir os bairros de lá com Dante de Oliveira e nunca o vi lá, Emanuel. Estou vendo agora”, disse Wilson.

“O ouvinte pode perceber a empáfia, a arrogância e a falta de respeito quanto lida com o adversário. Ele agrediu o Dante com o FAP e agora se junta a ele para dizer que fundou bairros. Esses bairros estão comigo, agora, porque não querem a volta desse passado”, rebateu Emanuel.


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