23/10/2016 às 14h44min - Atualizada em 23/10/2016 às 14h44min

Ex-governador é chefe de quadrilha e tinha proteção de secretários, diz MPE

Silval Barbosa direcionava agentes políticos para atender interesses de desvio de dinheiro, diz denúncia

Rafael Costa
Folha Max

Na denúncia criminal relacionada a quarta fase da Operação Sodoma da Polícia Civil, o Ministério Público Estadual (MPE) sustenta que as investigações comprovaram a chefia do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) no esquema de desvio de R$ 15,857 milhões dos cofres públicos por meio de fraudes no pagamento destinado a desapropriação do bairro Jardim Liberdade I.

Na peça formulada pela promotora Ana Cristina Bardusco é citado que Silval Barbosa assumiu o papel de líder da organização criminosa e tinha o auxílio de secretários de Estado para ser blindado e assim ter suas atividades ocultas. “Os trabalhos realizados evidenciam que Silval da Cunha Barbosa, na condição de líder da organização criminosa, era o responsável por articular e coordenar as ações dos demais integrantes que atuavam com o propósito de blindá-lo. Ao longo de toda a sua gestão como governador, estrategicamente infiltrou agentes investidos em cargos relevantes nas Secretarias de Estado, visando a prática de crimes contra a administração pública, entre outros delitos”, diz um dos trechos. 

A denúncia ainda ressalta que Silval Barbosa, como responsável pela nomeação dos ocupantes de cargos públicos, direcionava agentes políticos para desempenhar funções estratégicas que pudessem render frutos oriundos de atividades criminosas. “Veja que em relação aos agentes públicos, bastava sua vontade para afastá-los dos cargos ocupados, substituindo por outro que julgasse mais interessante para a obtenção do resultado criminoso perseguido (...) Ressalta, ainda, que além de estrategicamente infiltrar seus comparsas nos setores mais sensíveis do Estado, em razão do cargo, detinha o poder de emitir decretos estaduais que garantissem a livre atuação do grupo criminoso, com o auxílio dos seus comparsas”, completou.

Após ter seus interesses atendidos por secretários de Estado e outros que nomeava para funções públicas, Silval Barbosa permanecia oculto das atividades criminosas. “Na condição de garantidor dos demais membros, não aparecia no cenário dos crimes, papel desempenhado pelos cúmplices, que assumiam a linha de frente, quer na exigência ou recebimento da vantagem indevida e/ou na respectiva lavagem e outras práticas”, completa.

No total, 17 pessoas foram denunciadas na quarta fase da Operação Sodoma da Polícia Civil. Todos são suspeitos dos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, coação no curso do processo, organização criminosa, lavagem de dinheiro e receptação qualificada.

Na relação de denunciados está o ex-governador Silval Barbosa, Pedro Jamil Nadaf (ex-secretario chefe da Casa Civil), Francisco Gomes de Andrade Lima Filho (procurador de Estado aposentado), Marcel de Cursi (ex-secretário de fazenda), Arnaldo Alves de Souza Neto (ex-secretário de Planejamento), Afonso Dalberto (ex-presidente do Intermat), além do proprietário do imóvel Antônio Rodrigues Carvalho, seu advogado Levi Machado e o empresário Valdir Piran.

Completam a lista Karla Cecilia de Oliveira Cintra (assessora da Fecomércio), José de Jesus Nunes Cordeiro (ex-secretário adjunto de Administração), Sílvio Cezar Corrêa Araujo (ex-chefe de gabinete de Silval Barbosa), Pedro Elias Domingos de Mello (ex-secretário de Administração), Rodrigo da Cunha Barbosa (médico e filho do ex-governador Silval Barbosa), Cesar Roberto Zilio (ex-secretário de administração), Alan Ayoub Malouf (empresário) e João Justino Paes de Barros (ex-presidente da Metamat).


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