22/10/2017 às 16h30min - Atualizada em 22/10/2017 às 16h30min

Silêncio geral

Na greve geral pela RGA, em 2016, o Governo remou sozinho.

ONOFRE RIBEIRO
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso (Reprodução)

No meio dos diversos tiroteios que o Governo Pedro Taques vem enfrentando, nenhuma palavra das entidades representativas do setor privado.

Em curso, a crise dos grampos, a votação iminente da PEC do Teto de Gastos e a greve do Detran, mais o cenário de ameaça geral de greve dos servidores públicos.      

A quem tudo isso atingirá? Aos setores privados, claro! Até porque a pressão de 100 mil servidores públicos é por seus direitos e interesses

Ignoram-se 2.144 mil mato-grossenses a quem de fato interessa a ordem institucional pública.

O Governo lida com uma Assembléia Legislativa fragilizada, mas que tem o poder de mutilar a PEC do Teto de Gastos Públicos e abrir mais gastos, mesmo que o Tesouro do Estado não tenha mais do que 1% do orçamento anual para investir em benefício efetivo da sociedade inteira.   

Os funcionários públicos, representam 3,2% de toda a população e conseguem ter mais voz e mais poder político das que todas as instituições privadas poderosas como as federações do Comércio e Serviços, da Agricultura e Pecuária, dos Transportes, das Câmaras de Dirigentes Lojistas, associações dos produtores de soja e milho, da pecuária,  do algodão, de veículos novos e usados, de todos os conselhos profissionais, sindicatos patronais, etc.

Na greve geral pela RGA, em 2016, o Governo remou sozinho. Não teve o apoio das instituições privadas que representam os setores geradores da economia e arrecadadores de impostos.

Essa alienação permitiu que o Fórum Sindical que agrega todos os sindicatos do serviço público estadual, tomasse conta da política e “colonizasse” a gestão estadual.       

Neste momento em que os funcionários públicos apertam o pescoço da fraca Assembléia Legislativa, nenhuma voz privada se levanta para se pronunciar.

Agem como se não tivessem nada a ver com as consequências.

Não é compreensível essa alienação e tal grau de despolitização de entidades que produzem movimento próximo de R$ 100 bilhões por ano na economia de Mato Grosso.

Mas não são capazes de reunir meia dúzia de vozes em defesa de toda a sociedade de 3.144 mil habitantes, já que apenas 100 mil servidores organizados estão dando as cartas no jogo político.

Tem hora que o Governo se fragiliza e precisa de apoio externo, sob pena de precisar ceder às pressões dos interesses internos.    

Estão faltando pensadores e estrategistas políticos no setor privado. O silêncio atual é burro.

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso.

onofreribeiro@onofreribeiro.com.br   

www.onofreribeiro.com.br 


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