23/10/2017 às 16h50min - Atualizada em 23/10/2017 às 16h50min

Taques avalia processar delegado que investigou escutas ilegais

Policial, no entanto, afirmou que sua fala a TV sobre o caso foi editada e tirada do contexto

Mídia News
VINÍCIUS LEMOS

O governador Pedro Taques (PSDB) afirmou que seus advogados analisam a possibilidade de entrar com uma ação judicial contra o delegado Flávio Stringueta, em razão de declarações do policial sobre as apurações referentes aos grampos clandestinos.

Stringueta era o responsável – junto à delegada Ana Cristina Feldner –, no âmbito da Polícia Civil, pelas apurações sobre as interceptações ilegais no Estado, que ocorriam desde 2014.

Ele deixou as apurações na semana passada, após o procedimento ser encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), a pedido do governador e da Procuradoria-Geral da República.

Na semana passada, em entrevista ao Jornal Hoje, da TV Globo, o delegado afirmou que o governador teria conhecimento sobre o esquema ilegal e teria avalizado os números interceptados.

“O então candidato ao Governo José Pedro Taques tinha conhecimento, avalizou esses grampos e depois, enquanto governador, continuou mantendo isso de alguma forma, através do secretário da Casa Civil, Paulo Taques”, disse Stringueta.

A declaração do delegado incomodou o governador Pedro Taques, que revelou que seus advogados foram acionados para analisar o caso.
“Sobre o delegado Stringueta, os meus advogados estão tomando as providências que entenderem em relação a ele. Quem fala o que quer, pode receber, na Justiça, muitas vezes o que não deseja”, disse, na última sexta-feira (20), durante a Caravana da Transformação.
 
O governador revelou que seus advogados ainda estão analisando a possibilidade de acionar o delegado na Justiça.
 
Ao ser questionado sobre a postura dos delegados que conduziram o inquérito e do desembargador Orlando Perri – responsável por conduzir o caso no Tribunal de Justiça de Mato Grosso –, o governador não quis entrar em detalhes.
 
“Não me cabe avaliar trabalho de delegado. Quem analisa trabalho de delegado é o cidadão e a Corregedoria da Polícia Civil. Quem avalia o trabalho do desembargador Orlando Perri é o Conselho Nacional de Justiça e o STJ, quando as decisões foram desafiadas”, declarou.
 
Em relação às suspeitas de que tinha conhecimento sobre os grampos ilegais, Taques negou a informação e afirmou que não sabia do esquema.
 
“Eu vou repetir. Eu não fiz absolutamente nada de errado, não mandei fazer nada errado. Não é do meu feitio”, esclareceu.
 
Outro lado
 
O delegado Flávio Stringueta afirmou que a entrevista à TV Globo foi editada e colocada fora do contexto. Segundo ele, a suposta participação do governador no esquema é apenas uma opinião e não uma constatação feita durante as apurações.
  
“Não foi exatamente isso o que eu disse na entrevista. Houve uma edição de minha fala, um corte, para ser mais exato. Eu disse que, segundo minha análise de tudo o que foi investigado e veiculado na imprensa, por dedução eu estava convicto de que o Pedro Taques, quando candidato ao Governo e depois como governador, teve participação nos grampos”.
 
“Trata-se de uma opinião minha apenas, e não de uma constatação fática tirada dos autos dos inquéritos policiais dos quais participei”, disse, por meio de comunicado.
 
Stringueta não comentou sobre a possibilidade de ser processado pelo governador.


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