22/11/2017 às 12h18min - Atualizada em 22/11/2017 às 12h18min

Professores alegam que caos financeiro atrasará fim das aulas em MT

Gestores escolares são obrigados a "escolherem" despesas serem pagas

Redação

Os atrasos nos repasses dos recursos para manutenção das escolas públicas estaduais de Mato Grosso ameaçam a conclusão das aulas em 2017 e o funcionamento das unidades para o próximo ano. Os gestores das escolas públicas estaduais denunciam o colapso que estão vivenciando para conseguirem administrar as despesas rotineiras. 

Em Primavera do Leste, os diretores das escolas estaduais cobram o a regulamentação do repasse dos recursos para o desenvolvimento e manutenção das escolas. Os valores são repassados conforme o montante de alunos e deveriam chegar trimestralmente, o que não vem acontecendo. 

O atraso da parcela do mês de setembro e o repasse de apenas 50% do valor, ocorrido só em novembro, faz com que gestores escolham o que será pago. “Estamos deixando de realizar projetos pedagógicos para garantir a permanência dos estudantes na escola”, afirmam os gestores escolares. 

Conforme relataram, existem escolas de Primavera em que a avaliação quadrimestral dos estudantes não ocorrerá da forma convencional. Eles alegam que falta papel e até mesmo tonner para as impressoras.

Em Várzea Grande, os profissionais se mobilizam para definir uma ação estratégica, já que os atrasos com fornecedores implicam em juros nas compras efetivadas, o que encolhe ainda mais os recursos. Eles apontam que os parcelamentos dos últimos pagamentos agravaram ainda mais o quadro. 

Os diretores apontam que têm que escolher as despesas mais urgentes a serem pagas. No mês de outubro, escolas do interior informaram aos pais de alunos que o fornecimento de merenda seria suspenso diante da falta de repasses do Executivo.

As diretoras alegaram que, além de estarem sem recursos, as unidades não tinham mais créditos com fornecedores. Para o Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep/MT), é lamentável o “esforço do governo Taques para desmontar a Educação Pública”.

Há denúncias de que os próprios estudantes estão comprando materiais para o desenvolvimento de atividades na escola. O sindicato alega que a justificativa de falta de recursos do poder executivo é um "factoide”.

Além disso, repudia que a folha de pagamento dos profissionais da Educação é uma das responsáveis pelo caos. “Quem acredita que o montante salarial pago aos educadores são exorbitantes para comprometer os recursos do Estado é porque desconhece o quanto dos impostos pagos vão para as mãos de empresários, para o Judiciário e o Legislativo. São milhões em renúncias e incentivos fiscais que escoam dos cofres públicos”, destaca o secretário de Assuntos Educacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e dirigente do Sintep/MT, Gilmar Soares.

O presidente do Sintep/MT, Henrique Lopes, destaca que essas alegações querem convencer a opinião pública. “Essa é mais uma manobra governista para justificar a Lei do Teto de Gastos e o pacto com os empresários e as políticas privatistas e neoliberais”, diz.


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