24/11/2017 às 21h54min - Atualizada em 24/11/2017 às 21h54min

Viúva confirma esquema e relata que ex-secretário pagava contas de Riva e esposa

Cleonice Adams relatou que esquemas ocorreram nos 8 anos que marido trabalhou no legislativo

Folha Max
LEONARDO HEITOR
Cleonice Adams, viúva do ex-secretário geral Assembleia Legislativa Edemar Adams, prestou depoimento na tarde desta sexta-feira na Sétima Vara Criminal de Cuiabá. Ela foi ouvida pela juíza Selma Rosane Santos Arruda na ação penal relativa a "Operação Imperador", que investiga fraudes na compra de R$ 62 milhões em materiais gráficos e de papelaria pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).

Na audiência, Cleonice Adams afirmou que quando seu marido começou a trabalhar na Assembleia Legislativa, já existia o esquema de fraude em licitações, e que foi mantido durante todo o tempo em que Edemar Adams atuou na Casa, até 2010. Ela também afirmou que foi o ex-deputado José Riva quem o "convidou" para entrar para o grupo.

Durante longo período, Edemar era o operador do esquema para o ex-presidente da Assembleia. Ele era o responsável por arrecadar a propina com empresários que, supostamente, forneciam ao legislativo e fazer pagamentos.

Cleonice contou que Riva ordenava a quem Edemar teria que repassar os valores recebidos do esquema, e que ia desde o pagamento de contas, até o repasse de dinheiro vivo para o próprio parlamentar.

Ela também disse que todas as licitações para fornecimentos de material para a Assembleia Legislativa tinham os vencedores acordados anteriormente entre empresários e Riva. Isso porque, segundo ela, o ex-deputado sempre exigia o "retorno".

A viúva contou que os principais beneficiados pelo esquema eram José Riva e sua esposa, Janete Riva, ré na operação. Cleonice afirmou que na maior parte das compras, o material sequer era entregue, ou já eram usados. Ela também declarou que os empresários sabiam e faziam parte do esquema, tendo inclusive, parte nos ganhos.
Ao ser questionada pela magistrada sobre o tempo total em que o esquema perdurou na Assembleia Legislativa, Cleonice Adams disse que Edemar trabalhou por oito anos na Casa, com um intervalo onde ele atuou no Detran. Em todo este período, as fraudes existiram. Ela também contou que sabia de tudo pois Edemar contava para ela o que se passava.

A testemunha também, em um determinado momento, afirmou que Edemar havia sido filmado em uma reunião recebendo uma maleta de Elias Nassarden Junior. Ao ser questionada, disse não se lembrar do conteúdo, mas o promotor de Justiça lembrou que ela já havia dito em outro depoimento, que se tratava de dinheiro. Cleonice confirmou e disse que se tratava de cerca de R$ 600 mil, oriundo de propina.

O depoimento prestado por Cleonice é referente a ação em que figura como réus servidores públicos e empresários. São réus na ação penal a esposa de José Riva, Janete Gomes Riva, além de Edson José Menezes, Elias Abrão Nassarden Júnior, Manoel Theodoro Dos Santos, Djan da Luz Clivatti, Leonardo Maia Pinheiro, Jean Carlo Leite Nassarden, Elias Abrão Nassarden, Tarcila Maria da Silva Guedes, Clarice Pereira Leite Nassarden, Celi Izabel de Jesus, Luzimar Ribeiro Borges, Jeanny Laura Leite Nassarden.

Destes réus, Elias Abrão Nassarden Júnior firmou acordo de delação premiada com o MPE e confirmou ter aberto diversas empresas “fantasmas” em nome da mãe, do pai, dos irmãos, da ex-mulher, da ex-sogra e diversas pessoas próximas com o objetivo de proceder ao desvio de verbas milionário da ALMT.

O ex-deputado é réu em outra ação. O processo contra ele tramitou mais rápido por conta de sua prisão, ocorrida em fevereiro de 2015. 

A "Operação Imperador" apurou desvio de R$ 62 milhões da Assembleia Legislativa por meio da compra simulada de materiais de escritório, como papeis A4, tonner de impressora, entre outros. De acordo com a denúncia, a Assembleia pagava por materiais que não eram entregues. As empresas que forneciam para o legislativo, em sua maioria, eram de fachada.
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