01/02/2018 às 14h27min - Atualizada em 01/02/2018 às 14h27min

Testemunha de chacina sofre atentado e MP pede transferência de local de audiência

Nove trabalhadores foram mortos em abril do ano passado a mando de dono de uma madeireira. Uma testemunha relatou que foi perseguida e alvejada por nove tiros.

Página Press, com G1 MT
Chacina ocorreu em gleba no município de Colniza (MT) (Foto: Reprodução/TVCA)

O Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT) solicitou à Justiça que o local de depoimento de duas testemunhas da chacina de nove trabalhadores na Gleba Taquaruçu do Norte, em Colniza, a 1.065 km de Cuiabá, seja alterado. Segundo o pedido do órgão, as testemunhas têm sido ameaçadas e uma delas sobreviveu depois de ser alvejada por nove tiros quando esteve no município.

As audiências estão sendo realizadas na Comarca de Colniza. Peritos, investigadores e policiais já foram ouvidos.

Na solicitação, o MP pede que as duas testemunhas ameaçadas sejam ouvidas em Cuiabá. Em relato ao órgão, uma das testemunhas contou que, quando esteve em Colniza, foi perseguida por seis pessoas, levou nove tiros e precisou passar cinco dias escondida.

“Desse modo, o Ministério Público requer que seja designada a oitiva das testemunhas para a Comarca de Cuiabá em tempo hábil para que a acusação possa avisá-los, uma vez que se encontram escondidas, mencionando apenas que entrarão em contato em breve”, diz trecho do pedido.

Chacina em Colniza

Em abril de 2017, nove trabalhadores foram assassinados no município de Colniza, a 1.065 km de Cuiabá. A chacina vitimou homens com idade entre 23 e 57 anos. Eles estavam em barracos erguidos na Gleba Taquaruçu do Norte quando foram rendidos, torturados e mortos.

A motivação dos crimes seria a extração de recursos naturais da área. A intenção do mandante do crime era assustar os moradores e expulsá-los das terras, para que ele pudesse, futuramente, ocupá-las.

O MP-MT denunciou cinco pessoas por participação na morte dos trabalhadores. A primeira audiência de instrução sobre o massacre ocorreu no dia 27 de novembro. O julgamento deve ocorrer este ano.

De acordo com o MPE, no dia da chacina, Pedro, Paulo, Ronaldo e Moisés, a mando de Valdelir, teriam seguido até a Linha 15 e, com o uso de armas de fogo e arma branca, assassinaram Francisco Chaves da Silva, 56, Edson Alves Antunes, 32, Izaul Brito dos Santos, 50, Aldo Aparecido Carlini, 50, Sebastião Ferreira de Souza, 57, Fábio Rodrigues dos Santos, 37, Samuel Antonio da Cunha, 23, Ezequias Santos de Oliveira, 26, e Valmir Rangel do Nascimento, de 55 anos.

Os autores foram reconhecidos pelas testemunhas.


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