01/02/2018 às 22h44min - Atualizada em 01/02/2018 às 22h44min

MBL prepara candidatura de deputados federais e estaduais

Em Vitória, o fundador do movimento, Kim Kataguiri, disse que as ideias e posturas de Bolsonaro não têm a ver com o movimento e praticamente descartou apoio ao presidenciável

Gazeta Online
Vinícius Valfré
Kim Kataquiri durante evento da entidade no auditório da Ufes (Foto: Carlos Alberto Silva)

Considerado uma das mais destacadas vozes da nova direita brasileira, o ativista Kim Kataguiri, fundador e líder do Movimento Brasil Livre (MBL), afirmou que as ideias e as posturas políticas e econômicas do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) nada têm a ver com as do movimento, praticamente descartando a possibilidade de apoiar o polêmico pré-candidato na eleição presidencial.

Kim afirmou que o MBL pretende eleger 15 deputados federais em 2018 e que candidaturas a deputados estaduais também serão incentivadas Brasil afora. Em evento do grupo na Ufes, nesta quinta-feira (01), ele afirmou que vai haver "definição em breve de candidaturas no Espírito Santo".

O jovem, de 22 anos, também aproveitou para vender exemplares do "Quem É Esse Moleque para Estar na Folha?", lançado no final do ano passado. O livro reúne colunas que publicou na Folha de São Paulo entre janeiro de 2016 e março de 2017.

Por que escolheu esse nome para o livro?

Foi por causa da reação de alguns leitores e não leitores da Folha que começaram a mandar para a ombudsman "quem é esse moleque para estar na Folha?". Aí a ombudsman fez um texto cujo título era esse. Basicamente, demonstrando o quão era intolerante o pessoal que pensava que simplesmente por alguém estar no mesmo ambiente de trabalho do que eu era alguma espécie de monstro, que eu tinha algum tipo tóxico que contaminava as pessoas, o que demonstra intolerância ideológica. Para tirar sarro disso, resolvi dar o título ao livro.

O que o MBL quer na eleição de presidente?

O foco do MBL é a eleição para o Legislativo, fazer uma bancada de 15 de deputados federais. Para a presidência da República, ainda não temos candidato. Buscamos um candidato que tenha agenda liberal, de fechamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), de privatização da Petrobras, de cobrança de mensalidade em universidade pública para quem pode pagar. Uma agenda liberalizante que reveja o pacto federativo, que descentralize o poder e uma agenda dura na segurança pública, que reveja a saída temporária e indulto.

O MBL terá um candidato?

A ideia é que a gente tenha.

Escolherão alguém que tenha as mesmas ideias ou escolherão, entre aqueles que estiverem postos, o que mais se aproxima?

Entre os que estiverem postos, o que mais se aproxima.

O MBL recomenda que seus membros se filiem a quais partidos?

Não tem uma orientação de quais partidos eles devem ir, mas tem uma orientação de quais partidos eles não devem ir. Basicamente, são os partidos de esquerda que naturalmente não aceitariam os candidatos do MBL. Vai ser uma ampla gama de partidos, como foi já em 2016. Temos vereadores eleitos pelo DEM, pelo PSDB, pelo PRB, pelo PV. E a ideia da bancada federal é a mesma coisa. Todos em partidos diferentes, porque a realidade partidária estadual é diferente. Mas com a mesma plataforma.

Vocês vão incentivar também candidatos a deputados estaduais?

Também.

Isso no Brasil inteiro?

Isso.

Tem algum candidato hoje que o MBL tenha um pouco mais de afinidade?

Por enquanto, não.

Tem alguém que se aproxima, ao menos?

O que mais se aproxima das ideias do MBL é o João Amoêdo (Novo). O problema dele é a viabilidade.

E como o MBL avalia o Jair Bolsonaro?

Politicamente, não está de acordo com o que a gente acredita. Não defende voto distrital, não defende parlamentarismo e tem mau diálogo com o Congresso, o que é grave para um presidente da República. E economicamente tem ideias nacionalistas e protecionistas que não estão de acordo com o que a gente defende.

Acha positivo o fato de vocês terem virado celebridades?

Positivo. É reconhecimento pelo trabalho que o MBL tem feito. Assim como a gente apanha a gente também recebe apoio.

Falando em apanhar, uma crítica ao MBL é a de que o movimento não gosta da corrupção do partido A e tolera a corrupção do partido B. Não teme que daqui a muitos anos o MBL seja lembrado como aquele que perseguição de maneira implacável a corrupção do PT e foi omisso com a corrupção do PSDB e do PMDB?

Acho que não. A gente não foi omisso em relação à corrupção nem do PMDB nem a do PSDB.

Não foram pelo menos desequilibradas as reações?

Acho que não. Eu quero, por exemplo, que o presidente Michel Temer seja julgado na primeira instância e que seja punido pelos crimes que cometeu. Para isso, a Câmara não poderia ter aceitado a denúncia porque se não ele seria julgado pelo Supremo Tribunal Federal, onde, muito provavelmente, na minha avaliação, ele se livraria. O verdadeiro "Fora, Temer" é aquele que mantém ele até o final do mandato para que na primeira instância ele seja julgado pela 13ª Vara de Curitiba e seja punido. Isso é combater a corrupção com inteligência. Gritar "Fora, Temer" na época da votação da Câmara era a mesma coisa que absolver ele no Supremo.

Qual o papel do MBL diante das fake news? Qual o compromisso do MBL com relação a isso?

É isso que o MBL mais combate, principalmente fake news da grande imprensa. Infelizmente, muitas vezes a gente vê um trabalho enviesado e a gente sempre busca esclarecer para que a mentira não prevaleça.

Mas você não acha que o MBL também peca nesse ponto?

Acho que não. Deliberadamente, nunca.

Teve a "invasão dos petistas" lá... (No mês passado, o MBL postou um vídeo "denunciando" suposta invasão de sindicalistas a um prédio público para impedir a condenação de Lula. Na verdade, o ato não tinha nada a ver com o julgamento. Era um protesto de servidores contra um pacote de mudanças previdenciárias no Rio Grande do Norte. O vídeo foi deletado, sem correções)

Deliberadamente, nunca. Quando a gente erra, a gente assume e divulga que houve um equívoco na notícia.


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