09/02/2018 às 18h04min - Atualizada em 09/02/2018 às 18h04min

Zaque cita "interesses maiores"; cabo falou de intimidades de Taques e Riva

Folha Max

Após o juiz Murilo Mesquita Moura, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, levantar o sigilo da ação dos grampos ilegais no Estado, a imprensa passou a ter acesso a audiência de instrução que começou a ser realizada nesta sexta-feira (9), com depoimentos das testemunhas arroladas pelo Ministério Público Estadual. 

O primeiro a depor foi o promotor de Justiça, Mauro Zaque de Jesus, autor da denúncia  do caso. Zaque, que a época era secretário de Segurança Pública, informou que recebeu a denúncia por uma correspondência anônima que chegou ao seu gabinete. 

Ele afirmou que repassou a denúncia ao governador Pedro Taques, por meio de uma apresentação em Power Point. “Não cabia a mim enquanto secretário investigar. Por isso repassei”, declarou o promotor, que apontou que deixou o Governo, em dezembro de 2015, porque não viu interesse na investigação.

O promotor explicou que checou alguns números que continham na denúncia como grampeados. Para ele, ficou claro se tratar de “barriga de aluguel” e de que o esquema era bem, maior que investigação contra policiais militares. "Apesar disso ter acontecido no seio da Polícia Militar, isso não é atividade da PM.  Não foi autorizado pela polícia nem para atender interesses da Polícia Militar.  Foi para atender interesses de outras pessoas. Entre elas secretários de Estado", afirmou.

Zaque afirmou ainda que não focou em apurar sobre a autoria da denúncia, mas sim no conteúdo.

VIDA ÍNTIMA

Outra testemunha a depor foi o servidor público, Mário Edmundo Costa. Ele foi um dos que tiveram o telefone grampeados e reconheceu ser amigo de Gérson Correa. 

Após saber que foi alvo dos grampos, Mário Edmundo afirmou que procurou o cabo Gerson, por saber que ele atuava no setor de escutas telefônicas. Durante a conversa, o cabo passou a falar sobre algumas das interceptações que realizou, entre elas relacionadas as intimidades do governador Pedro Taques e a deputada estadual Janaina Riva.

“Ele fez alguns comentários informais. O Gerson sempre frequentou minha casa. Eu sabia que ele trabalhava com interceptação, se era ilegal ou não eu não sei. Ele fazia comentários de algumas pessoas, mas nunca disse que soube por que estava ouvindo alguém em tal processo", afirmou o depoente.

A testemunha também comentou sobre uma mensagem que recebeu de Gérson Correa, que dizia que iria “arregaçar o promotor Mauro Zaque”, autor das denúncias de grampos ilegais.

Ao destacar que a mensagem foi enviada quando o cabo ainda não estava preso, disse que não enxergou como ameaça ao promotor, conforme sugeriu a denúncia. “Eu entendi que  ele quis dizer que ia cobrar a verdade, não se vingar”.

Mário acredita que foi grampeado porque devia dinheiro a Gerson Correa.


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