11/02/2018 às 11h49min - Atualizada em 11/02/2018 às 11h49min

Agricultores de MT temem falta de espaço em armazéns para guardar produção após retenção de caminhões

Transtorno no acesso dos caminhoneiros aos portos do Pará tem causado lentidão no escoamento da safra. Outra consequência é o aumento do frete, segundo os produtores.

G1 MT
Caminhões chegaram a ser puxados por máquinas na BR-163 para chegarem aos portos do Pará (Foto: João Miranda/Arquivo pessoal)

Agricultores de Mato Grosso que ainda vão colher boa parte dos grãos - principalmente de soja - temem ficar sem espaço nos armazéns para guardar a produção devido ao transtorno no acesso aos portos do Pará, que gera lentidão no escoamento da safra.

Caminhões e carretas não conseguem vencer um trecho de 65 km, perto de Novo Progresso (PA), numa região conhecida como Serra do Sabão. A precariedade na infraestrutura da BR-163, problema agravado pela temporada de chuvas, faz com que uma viagem que normalmente durava cinco dias entre Sinop, a 503 km de Cuiabá, e o porto de Miritituba, em Itaitúba (PA), passasse a ser de oito dias.

Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), a explicação para o problema é que o contrato com a empresa que tocava as obras foi rompido e o trabalho do trecho entre Novo Progresso e Moraes de Almeida foi repassado para o Exército. A meta é lançar a primeira camada de asfalto em todo o segmento até o final de 2019 e, em 2020 fazer a compelmentação e o fechamento da obra.

Outra consequência do tráfego ruim é que o frete já aumentou. O agricultor Leonildo Barei cultivou 750 hectares de soja em Sinop e, mesmo antes de terminar a colheita, já percebeu que o preço do frete aumentou de R$ 160 para R$ 240, o que gera um custo de R$ 4 a mais por saca, dinheiro que sai do bolso do produtor rural.

A previsão é de que 11 milhões de toneladas de grãos, entre milho e soja, saiam de Mato Grosso para o Porto de Miritituba neste ano. Com os problemas de infraeturura na estrada, as empresas que organizam os fretes nos municípios do norte e do médio-norte do estado, calculam um prejuízo mínimo de R$ 9 milhões por dia para os transportadores.

Segundo o Dnit, o trânsito já flui melhor na regiãoda Serra do Sabão, em Moraes de Almeida (PA). Por lá, os veículos seguem no sistema 'Pare e Siga', já que, em função das obras, existe apenas uma pista liberada para a passagem das carretas.

Em boletim divulgado na noite de sábado (10), o Dnit informou que a execução das obras de impermeabilização da plataforma da rodovia, na serra, causam uma retenção de aproximadamente duas horas em Moraes Almeida. Na semana passada, os caminhões chegaram a ser retidos em Novo Progresso por pelo menos 125 horas.


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