20/02/2018 às 16h04min - Atualizada em 20/02/2018 às 16h04min

Após desgaste jurídico, PTB desiste da indicação de Cristiane para ministério

Partido jogou a toalha depois de 43 dias de batalha judicial. Presidente do partido, Roberto Jefferson, vai indicar outro nome para o Ministério do Trabalho

Folha Press
Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Sem previsão de uma decisão judicial, o PTB desistiu da indicação da deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) para o comando do Ministério do Trabalho. O presidente nacional do partido, Roberto Jefferson, disse à reportagem que conversará com o presidente Michel Temer sobre a indicação de outro nome da legenda para a pasta.

Segundo ele, a sua filha seguirá como deputada federal. “O caminho será conversado com o presidente. A ministra Cármen Lúcia não votará antes do segundo semestre. Vamos andar, caminhar para frente”, disse Jefferson.

Curiosamente, a desistência do PTB coincide com o engavetamento da reforma da Previdência. O projeto era a principal razão pela qual Temer insistia na batalha judicial para nomear Cristiane – ele temia se indispor com o partido.

 

A previsão é de que o dirigente do partido converse ainda nesta semana com Temer para fechar um novo nome para a pasta. Os mais cotados para o cargo são os deputados federais Alex Canziani (PR) e Jorge Corte Leal (PE). A legenda chegou a sugerir anteriormente Sérgio Moraes (RS), mas o presidente demonstrou resistência.

Em 2009, ele causou polêmica ao dizer que estava “se lixando para a opinião pública” quando defendeu o ex-deputado federal Edmar Moreira, que ficou conhecido por ter sido dono de um castelo no interior de Minas Gerais. Ele era o relator no conselho de ética de acusação contra o mineiro por suposta apresentação de notas falsas ao justificar o uso de verba indenizatória. Com a declaração, Moraes acabou trocado da função.

O presidente trava há quase dois meses uma guerra jurídica com o Poder Judiciário pela nomeação de Cristiane Brasil. Ela foi impedida de assumir pela primeira instância federal por condenações na área trabalhista no dia 8 de janeiro.

A suspensão foi mantida pela segunda instância e, posteriormente, pela presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, que revogou decisão do ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça.


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