21/02/2018 às 13h35min - Atualizada em 21/02/2018 às 13h35min

Lula diz que Temer quer se reeleger pegando eleitores de Bolsonaro

A declaração do ex-presidente aconteceu em meio à avaliação do decreto de intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. "Ele (Temer) está arrumando um jeito de ser candidato à reeleição", disse

Iracema Amaral/Estado de Minas
Para o ex-presidente, Temer está "fazendo uma posta", colocando um assunto 'favorável' (segurança pública) no lugar de um tema 'desfavorável' (reforma da Previdência) (foto: Nelson Almeida/AFP - 25/1/18)
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quarta-feira (21/2), em Belo Horizonte, que o presidente Michel Temer (MDB) está "arrumando um jeito" de ser candidato à reeleição com a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. "Acho que ele achou que a segurança pública pode ser uma coisa muito importante para ele pegar um nicho de eleitores do Bolsonaro. Como é só previsão e é uma tese minha, vamos ver o que vai acontecer", afirmou Lula.
 
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Para o ex-presidente, Temer está "fazendo uma posta", colocando um assunto 'favorável' (segurança pública) no lugar de um tema 'desfavorável' (reforma da Previdência) para angariar apoio da sociedade. E, com isso,  avalia Lula, pavimentar o caminho para disputar a reeleição. "Temo que essa intervenção seja pirotecnia, que seja de puro interesse político", avaliou.
 
Em entrevista à rádio Itatiaia, Lula também disse que  "Temer sabe que o que tirou a reforma da Previdência da pauta (do Congresso) não foi ele".  O petista lembra pesquisa recente realizada pela DataFolha, do jornal Folha de S.Paulo, mostrando que "os deputados não iriam votar a reforma da Previdência". "O que eles pensaram? Vamos criar um outro espetáculo, criando a intervenção no Rio de Janeiro, passando a ideia que agora vão acabar os problemas e não vão acabar", disse o ex-presidente.
 
A intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro tirou da pauta a reforma da Previdência por se tratar de uma  Proposta de Emenda à Constituição (PEC). A Constituição proíbe que uma PEC seja votada no Congresso em caso de intervenção federal em um ou mais estados da federação.

Sem Preparo

O ex-presidente também lembrou que o Exército ficou um ano na favela da maré, no Rio de janeiro, e, quando saiu , "os problemas voltaram".  "Se o estado não está presente com políticas públicas, a violência aparece", disse, se referindo à estratégia para enfrentar a crimnalidade. 
 
Além disso, Lula  destacou que o exército "não está preparado para enfrentar o narcotráfico". "O exército é preparado para defender a soberania nacional contra possíveis inimigos externos.Colocar o exército para lidar com o narcotráfico, o que pode acontecer é que, depois o espetáculo, o resultado seja negativo", afirmou.
 
Lula acrescentou que esse resultado negativo aconteceu com as Unidades Policiais de Pacificação (UPPS), implantados pelo ex-governador Sérgio Cabral (MDB), hoje preso em presídio de Curitiba, no Paraná, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. "Você está lembrado das UPPS? Pareceria que tudo estava resolvido...", cobrou Lula.

Namoro
 
Lula também comentou as inúmeras cartas que tem recebido de pretendes a namoro ou a um casamento com o ex-presidente, viúvo  desde fevereiro do ano passado.  Lula negou que já esteja namorando.  " Por enquanto o meu relacionamento é só político, com o mundo da política", disse.

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