23/02/2018 às 13h32min - Atualizada em 23/02/2018 às 13h32min

Ex-governador de MT diz à CPI que dinheiro foi entregue a políticos após extorsão: 'Todo governo tem pressão e cede'

Silval Barbosa (MDB) disse que os deputados estaduais fizeram até uma reunião para definir como iriam extorquir o governo, depois que verbas começaram a ser liberados para a Copa e outros programas.

G1 MT
Silval Barbosa é ouvido na CPI do Paletó, na Câmara de Cuiabá (Foto: Lidiane Moraes/G1)

A CPI que investiga o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), o ex-governador Silval Barbosa (MDB) declarou, nesta sexta-feira (23), que entregou dinheiro aos políticos após extorsão. Algumas entregas de dinheiro vivo foram gravadas e as imagens foram entregues por ele à Procuradoria Geral da República (PGR), no acordo de delação, que ele firmou.
 

Pinheiro é um dos políticos que aparecem no vídeo recebendo dinheiro, mas ele sempre negou que a origem fosse propina. Silval disse ter tratado pessoalmente do pagamento com o prefeito, que à época era deputado estadual, após atrasos.
 

"Chegou um momento que tive que ceder. As imagens não têm nada a ver com mensalinho e, sim, com extorsão. Todo governo tem pressão e cede", afirmou aos membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
 

De acordo com Silval Barbosa, quando começaram a ser liberados recursos para as obras dos programas do governo, os deputados fizeram até uma reunião de colegiado para saber de que forma iriam extorquir o governo.
 

"Quando foram liberados dinheiro para a Copa, para o MT Integrado, começou a pressão, e em um determinando dia, isso quem me relatou foram os próprios deputados Romoaldo Júnior e Mauro Savi, em determinado dia, fizeram uma reunião no Colégio de Líderes da Assembleia Legislativa, da qual participaram praticamente todos os deputados, para combinar de que eles iriam fazer a extorsão", contou.
 

Depois disso, disse ter feito um acordo com os deputados, para que não prejudicassem o andamento dos projetos do Executivo.
 

"A princípio, eles queriam R$ 1 milhão, mas depois de muita conversa fechamos em R$ 600 mil para cada deputado, dividido em 12 parcelas", contou.
 

O ex-governador afirmou que a ex-deputada estadual Luciane Bezerra (PSB), que é prefeita de Juara, a 690 km de Cuiabá, foi a recebeu mais dinheiro. "Como haviam atrasos, nem todos receberam tudo, mas cerca de 80% todos receberam", disse. Luciane nega participação no esquema. Na semana passada, ela foi afastada do cargo de prefeita por suspeita de fraude em licitação.
 

Segundo Barbosa, quando os pagamentos começaram a atrasar, todos os deputados queriam falar com ele. "O assunto era sempre a cobrança que o pagamento não estava sendo feito".
 

Mesmo com o pagamento ilegal, ele disse que, em 2014, "começou a sacanagem e pessoas que estavam recebendo começaram a votar contra os projetos de interesse do governo". Foi por causa disso que o então chefe de gabinete dele, Silvio César Corrêa, decidiu gravar a entrega do dinheiro e instalou uma câmera escondida na sala dele.
 

A CPI foi aberta depois que Pinheiro apareceu em um vídeo recebendo dinheiro, supostamente de propina, das mãos do ex-chefe de gabinete de Silval, Sílvio César Corrêa, que já prestou depoimento aos membros da comissão, na semana passada. Na oitiva, ele disse que o dinheiro era a título de propina.
 

"A decisão de contribuir foi minha, pessoal. E espero que sirva de exemplo para que outras pessoas não façam o que fiz", declarou o ex-chefe do Executivo estadual.

 

'Reflexão profunda'

 

Durante os quase dois anos em que passou preso no Centro de Custódia de Cuiabá serviram para que refletisse sobre os seus atos, segundo Silval. "Eu queria falar os podres que existem nos bastidores políticos. Passei 16 meses preso sem receber a visita de ninguém, a não ser família e advogado. Entrei num momento de reflexão profunda", enfatizou.
 

Silval foi preso em setembro de 2015 durante a Operação Sodoma, que investiga crimes de fraudes na concessão de incentivos fiscais do estado. Conseguiu converter a prisão para o regime domiciliar, com o uso de tornozeleira eletrônica, em junho do ano passado.


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