26/02/2018 às 00h15min - Atualizada em 26/02/2018 às 00h15min

Comandante do Bope diz que operação em que morreu Scheifer era de alto risco

Olhar Direto
Vinicius Mendes
Reprodução
O comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais de Mato Grosso (Bope-MT), o tenente coronel Ronaldo Roque, afirmou que a operação em que morreu o tenente Carlos Henrique Scheifer era de alto risco. Ele ainda disse que todos os membros do Bope estão cientes disto e, apesar de sentirem a perda, todos entendem as possibilidades de falha.

Os três militares envolvidos na morte do tenente permanecem afastados, mas exercem funções administrativas para a PM. A Corregedoria da PM já está realizando novas diligências sobre o caso.

De acordo com o comandante Roque, todos no Bope sentiram a perda de Scheifer, principalmente pela situação em que ocorreu. O tenente morreu vítima de um disparo feito por um de seus colegas durante um patrulhamento em 13 de maio de 2017.

“Aconteceu o fato, a gente não pode fugir disso, e temos que encarar isto. Todos nós sangramos, choramos, até hoje sentimos, era um integrante do Bope. Ainda mais nas circunstâncias em que se deram, sobretudo nas circunstâncias em que se deram, e que é motivo de apuração, do inquérito”, disse o comandante.

Ele também afirmou que todos os policiais do Bope têm consciência do risco que correm, que em cada operação é alto, por isso realizam constantes treinamento e simulações, para evitar estas situações.

“É uma ocorrência que pode acontecer por conta da natureza de imprevisibilidade, nós não estamos imunes a estas possibilidades. E o nível de pressão, de necessidade de qualificação, de treinamento e de controle emocional, psicológico, físico também é maior. Mas como Unidade de Operações Especiais nós temos que estar preparados para isso, e é por isso que nós treinamos muito, é por isso que nós suamos, que nós sangramos no nosso treinamento, para evitarmos que coisas desta natureza possam acontecer novamente. Obviamente que em um cenário deste a possibilidade de falha é eminente, ela existe e nós minimizamos isto com treinamento e capacitação”, explicou.

Roque contou que foi ele quem deu a notícia sobre a morte à mãe de Scheifer. Segundo ele, ela estava acompanhada de familiares no dia, mas ficou em choque. Após este dia ele não teve mais contato e não sabe informações sobre a situação da família do tenente.

No último dia 13 de fevereiro, dia em que completou nove meses desde a morte, a esposa de Scheifer, Tássia Paschoiotto Scheifer, compartilhou uma postagem em seu perfil no Facebook dizendo o quanto sente falte do esposo.

“Como é q eu faço agora aqui sem você? Como é q eu sigo sem a minha melhor metade? Como é q eu faço p me reencontrar? Eu estou a cada dia mais perdida... Já não sei descrever minha saudades há muito tempo... A dor é tão absurda, mas se alguém me perguntar se mesmo sabendo q eu viveria toda essa dor, eu ainda assim aceitaria aquele pedido maluco de namoro logo no primeiro beijo”, desabafou a viúva.

O inquérito que investiga a morte de Scheifer já havia retornado à Corregedoria da Polícia Militar e havia sido desmembrado em dois, um para apurar a situação da morte em si e outra para apurar a operação em que ela ocorreu.

O Ministério Público solicitou que novas diligências fossem realizadas. A assessoria da Policia Militar afirmou que as diligências sobre a morte de Scheifer já estão sendo realizadas pela Corregedoria. A PM também afirmou que os três policiais envolvidos na morte do tenente permanecem afastados do trabalho como policiais, mas exercem funções administrativas para a corporação.

O caso
 
O tenente Scheifer foi alvejado no abdome enquanto participava da operação de buscas pelos criminosos no Distrito de União do Norte, próximo a Peixoto do Azevedo (695 km de Cuiabá) no último dia 13 de maio. A vítima havia integrado o batalhão há pouco tempo, depois de deixar o Grupo Especial de Fronteira (Gefron).
 
 A princípio, a história repassada pelos colegas de Scheifer era de que ele teria sido atingido durante um confronto com a quadrilha que perseguiam na operação. No entanto, no último mês de agosto o corregedor-geral da Polícia Militar na época, coronel Carlos Eduardo Pinheiro da Silva, afirmou ao Olhar Direto que o tal confronto foi inventado e o tenente morreu vítima de um disparo feito por um de seus colegas durante um patrulhamento. Por causa disso ele sugeriu novas diligências.
 
Antes da morte do policial, os militares da região e do Bope haviam capturado quatro homens suspeitos de integrarem a mesma quadrilha. Essas prisões levaram à apreensão de armas, entre as quais dois fuzis 556, e munições. O Ministério Público e a 11ª Vara Militar também analisaram o inquérito e concordaram com a realização de novas diligências.
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