03/11/2016 às 17h49min - Atualizada em 03/11/2016 às 17h49min

Presos aproveitam fragilidade de famílias de pacientes para praticar extorsão

Rayane Alves
Hiper Notícias
Paciente de 58 anos morreu após ser internada com vírus contagioso (Imagem da Internet)

Uma nova modalidade de golpe que já foi aplicado várias vezes nos hospitais de Mato Grosso volta a ser registrado. É o que mostrou a edição de quarta-feira (2) do Jornal Hoje da Rede Globo. 

Os criminosos usam informações de pessoas internadas ou em tratamento, falam os sintomas e os problemas enfrentados recentemente e pedem que as vítimas realizem um depósito para pagar falsos exames e medicações.

Desta vez,  a vítima foi o caminhoneiro Jeffersson Ferreira da Costa. Ele contou que não pensou duas vezes quando pediram para depositar R$ 2.700 para a mulher que estava internada com tumor no cérebro.

“Alô é da residência da Verônica? Aqui é do hospital, estamos acompanhando o caso da sua esposa, e ela se encontra nesse exato momento com uma hemorragia intracraniana. Eu jamais esperaria que se tratava de um golpe. Fui surpreendido quando cheguei no hospital que ninguém tinha me ligado. E o depósito foi feito em uma agência de Rondonópolis, em nome de Cristiano da Silva”, afirmou Jeffersson.

No Rio de Janeiro já aconteceram casos com pacientes de um hospital da zona oeste e em outros das zonas norte e sul da cidade. O número de pessoas que receberam um telefonema desses pode ser bem maior, porque quando não é feito o depósito, a polícia não reconhece como crime.

No Pará, a Polícia Civil prendeu uma quadrilha que aplicava o golpe em sete estados. Os bandidos ligavam para hospitais particulares se passando por médicos e conseguiam com os enfermeiros o prontuário dos pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e os telefones dos acompanhantes.

Os falsos médicos faziam as ligações usando celulares dentro da Penitenciária Mata Grande, em Rondonópolis, Mato Grosso. O Jornal Hoje teve acesso, com exclusividade, às gravações da quadrilha feitas com autorização da Justiça.

Em uma das conversas, o falso médico liga para a irmã de uma paciente sugerindo exames de última geração. Em outra gravação, o falso médico pressiona a vítima a fazer o pagamento.

DOUTOR EDUARDO

Em abril deste ano, a empresária Ana Paula também foi vítima em Cuiabá por um falso médico que se dizia chamar Eduardo. Sua sogra estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Matheus há pelo menos 15 dias devido a uma infecção.

No dia 28 do mesmo mês, ele telefonou para Ana Paula identificando-se como doutor Eduardo. Disse que a sogra da empresária precisava com urgência de uns exames de última geração, porque havia sido constatado que ela estava com leucemia. O falso médico ainda sabia todo o histórico da paciente.

Para o exame, Eduardo pediu que Ana Paula depositasse R$ 1.700 na conta do laboratório, porque só assim a paciente teria liberação para fazer os procedimentos necessários.

“Ele falou com uma voz muito calma e afirmou que eu poderia ficar tranquila porque no prazo de sete dias a Unimed iria me devolver o valor que foi depositado. Fiquei bastante segura e liguei para meu esposo, porque afinal é a mãe dele que está lá e, logo em seguida, ele fez o depósito”, contou Ana Paula.

Depois de alguns minutos, o falso médico ligou novamente para a empresária e perguntou se o depósito já havia sido realizado porque ele precisava autorizar os exames.

“Falei que estava tudo certo e acreditei que estava tudo dentro dos conformes porque como é que eu não iria acreditar em um cara desse? Ele sabia de tudo”, afirmou indignada.

No mesmo dia, quando a empresária almoçava com a família antes de ir ao hospital para realizar os exames, Eduardo voltou a ligar e disse que ela precisava fazer um novo depósito no valor de R$ 1.250, porque o hospital tinha esquecido de passar o valor da bolsa de sangue.

“Achei estranho os valores cobrados porque ele sempre afirmava que os exames eram de última geração. Mas pensei 'a Unimed vai pagar a metade né', porque você nunca pensa na maldade do outro. Nisso, meu marido se estressou e disse que isso é golpe”, afirmou Ana Paula.

Após a ligação, Ana Paula foi ao hospital verificar a veracidade das informações. Lá, encontrou outras quatro pessoas que já tinham depositado valores até maiores para a mesma pessoa. Porém, nenhum médico aguardava por essas famílias.

“Eu já sabia que há muito tempo tinha esses golpes, mas as ligações eram realizadas dentro do quarto. Fiz um boletim de ocorrência na delegacia e fui até a direção reclamar porque o hospital informa quando alguém vai para UTI e necessita de outros cuidados, mas uma pessoa me informou que a unidade médica nunca pede dinheiro”, concluiu.


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